HomeThe TreatiseChaptersChapter 25
Tratado de Cirurgia da Coluna Vertebral
SECTION 3Traumatic Spine Injuries
Chapter25

Vertebral Insufficiency Fractures

Full reading of this chapter is available exclusively in the printed edition of the Treatise.
Sec. 3Traumatic Spine Injuries
Cap. 25Clinical Chapter
3authors
Português
Español
English
Referênciasscientific citations
📑

Chapter Summary

Context: As vertebral fractures por insuficiência (FVI) ocorrem quando uma vértebra com resistência mecânica diminuída — geralmente comprometida pela osteoporose — é submetida a estresse fisiológico rotineiro ou trauma de baixa energia. Constituem a complicação esquelética mais comum da osteoporose, apresentando alta incidência na população idosa, especialmente em mulheres pós-menopausadas. Apesar de uma proporção expressiva dessas fraturas ser assintomática ou causar apenas dor leve, as lesões sintomáticas resultam em dor aguda intensa, limitação funcional e risco de colapso vertebral progressivo com kyphosis secundária. Essa alteração do sagittal alignment pode desencadear repercussões sistêmicas, como restrição pulmonar, complicações gastrintestinais, perda de autonomia e elevação da taxa de mortalidade. Os principais desafios clínicos envolvem a diferenciação entre lesões agudas e crônicas, o diagnóstico diferencial com neoplasias ou infecções e a definição do momento adequado para indicar intervenções percutâneas.
Chapter Objective: Este capítulo visa capacitar o especialista no diagnóstico, na avaliação por imagem e no manejo clínico e cirúrgico das vertebral fractures por insuficiência. O leitor adquire competências para diferenciar fraturas benignas de lesões patológicas, aplicar sistemas de classificação validados (Genant e OF), estruturar o conservative treatment otimizado e reconhecer as indicações e técnicas dos procedimentos de aumento vertebral percutâneo.
Visão Geral e FundamentosFisiopatologia e Apresentação Clínica As fraturas por insuficiência decorrem da falência do osso trabecular osteoporótico frente a cargas mecânicas fisiológicas. Clinicamente, manifestam-se por dor lombar ou torácica de início súbito, sem histórico de trauma maior, que piora com a ortostase e a mobilização e melhora com o repouso. Ao physical examination, observa-se dor localizada à palpação do processo espinhoso acometido. Contudo, estima-se que até dois terços dos episódios sejam assintomáticos ou cursem com dor indolente. Avaliação por Imagem e Diagnóstico Diferencial A plain radiography (X-ray) em incidências anteroposterior e perfil identifica a perda de altura do vertebral body, deformidades em cunha, biconcavidade ou colapso completo. A computed tomography (CT) (TC) permite detalhar a microarquitetura óssea, a integridade da cortical e o comprometimento da parede posterior ou do spinal canal. A magnetic resonance imaging (MRI) (RM) é o exame de escolha para avaliar a acuidade da fratura, caracterizada por edema ósseo (hipossinal em T1 e hiperperfusão/hipersinal em T2 e STIR), diferenciando lesões agudas/subagudas de alterações crônicas consolidadas. A RM também é fundamental para descartar etiologias secundárias, como fraturas patológicas por metástases ou spondylodiscitis.
Sistemas de ClassificaçãoClassificação de Genant: Método semiquantitativo visual baseado no percentual de redução da altura do vertebral body (anterior, média ou posterior): Grau 0: Normal. Grau 1 (Leve): Redução de 20% a 25% na altura. Grau 2 (Moderado): Redução de 25% a 40% na altura. Grau 3 (Grave): Redução superior a 40% na altura. Classificação OF (Osteoporotic Fracture Classification da DGOU): Avalia a morfologia fratura, o comprometimento da parede posterior e a estabilidade biomecânica para guiar a conduta terapêutica.
Opções Terapêuticas e Princípios Técnicosconservative treatment: Indicado como conduta inicial para fraturas estáveis e sem comprometimento neurológico. Inclui analgesia, repouso relativo por curto período, uso de órteses (coletes TLSO ou LSO) para alívio da dor e mobilização precoce, associados ao tratamento farmacológico da osteoporose (bisfosfonatos, teriparatida, cálcio e vitamina D). Tratamento Intervencionista / Cirúrgico: Indicado em casos de falha do conservative treatment (dor refratária persistente), progressão da deformidade, osteonecrose vertebral (doença de Kümmell) ou, raramente, déficit neurológico. Vertebroplastia: Injeção percutânea de cimento acrílico de polimetilmetacrilato (PMMA) diretamente no osso trabecular fraturado para consolidação mecânica e analgesia. Cifoplastia: Inserção percutânea de balão insuflável no vertebral body para criar uma cavidade e tentar restaurar a altura vertebral antes da injeção de PMMA. Complicações e Controvérsias A complicação técnica mais relevante dos procedimentos percutâneos é o extravasamento de cimento (PMMA). O vazamento pode ocorrer para os tecidos paravertebrais, intervertebral disc, forame neural ou canal epidural, podendo também gerar embolia venosa e pulmonar. A cifoplastia apresenta menor taxa de extravasamento em relação à vertebroplastia devido à criação da cavidade e aplicação do cimento sob menor pressão. O capítulo discute ainda os ensaios clínicos randomizados que compararam o aumento vertebral a procedimentos simulados (sham), ressaltando a importância de critérios rigorosos na seleção dos pacientes.
Clinical Application: Na prática ortopédica e neurocirúrgica, o manejo da fratura vertebral osteoporótica deve iniciar pelo conservative treatment com controle adequado da dor e suporte ortótico para reabilitação funcional precoce. A investigação sistemática da qualidade óssea e o tratamento farmacológico de fundo da osteoporose são obrigatórios para prevenir novos eventos fraturários. A indicação de procedimentos percutâneos como vertebroplastia ou cifoplastia exige confirmação de edema agudo na magnetic resonance imaging (MRI) e refratariedade ao conservative treatment por um período de 3 a 6 semanas. A computed tomography (CT) deve ser minuciosamente analisada antes de qualquer injeção de cimento. Em casos com descontinuidade ou fratura da parede posterior do vertebral body, o risco de extravasamento para o canal canalicular ou forame neural é elevado, exigindo extrema cautela, volume reduzido de PMMA e monitorização fluoroscópica contínua em tempo real.
🏷️

Keywords

Preferred DeCS/MeSH Descriptors:
Coluna VertebralProcedimentos Cirúrgicos OperatóriosDiagnóstico por ImagemArtrodeseBiomecânicaQualidade de VidaReabilitação

Why this chapter matters

O tratamento das vertebral fractures por insuficiência fundamenta-se no diagnóstico preciso por magnetic resonance imaging (MRI) e no manejo inicial conservador com controle analgésico e tratamento da osteoporose. Diante da falha do tratamento clínico com dor incapacitante persistente, os procedimentos percutâneos de aumento vertebral (vertebroplastia e cifoplastia) representam recursos eficazes para o alívio rápido da dor, desde que precedidos pela avaliação rigorosa da integridade cortical para minimizar o risco de extravasamento de cimento.
📚

Bibliographic References

1. Kanis JA, Cooper C, Rizzoli R, Reginster JY; Scientific Advisory Board of the European Society for Clinical and Economic Aspects of Osteoporosis (ESCEO) and the Committees of Scientific Advisors and National Societies of the International Osteoporosis Foundation (IOF). European guidance for the diagnosis and management of osteoporosis in postmenopausal women. Osteoporos Int. 2019;30(1):3-44.
2. Genant HK, Wu CY, van Kuijk C, Nevitt MC. Vertebral fracture assessment using a semiquantitative technique. J Bone Miner Res. 1993;8(9):1137-1148.
3. Blattert TR, Schnake KJ, Gonschorek O, et al. White Paper: DGOU-Section Spine's Recommendations for the Treatment of Osteoporotic Vertebral Fractures. Global Spine J. 2018;8(2 Suppl):34S-45S.
4. Buchbinder R, Osborne RH, Ebeling PR, et al. A randomized trial of vertebroplasty for osteoporotic spinal fractures. N Engl J Med. 2009;361(6):557-568.
5. Kallmes DF, Comstock BA, Heagerty PJ, et al. A randomized trial of vertebroplasty for osteoporotic compression fractures. N Engl J Med. 2009;361(6):569-579.
6. German Society for Orthopaedics and Trauma (DGOU). Osteoporotic Fracture Classification (OF) Pocket Card. DGOU; 2018.
7. Wardlaw D, Cummings SR, Van Meirhaeghe J, et al. Efficacy and safety of balloon kyphoplasty compared with non-surgical care for patients with acute vertebral compression fracture (FREE): a randomised controlled trial. Lancet. 2009;373(9668):1016-1024.
8. Firanescu CE, de Vries J, Lodder P, et al. Vertebroplasty versus sham procedure for painful acute osteoporotic vertebral compression fractures (VERTOS IV): randomised sham controlled clinical trial. BMJ. 2018;361:k1551.
9. Klazen CA, Lohle PN, de Vries J, et al. Vertebroplasty versus conservative treatment in acute osteoporotic vertebral compression fractures (VERTOS II): an open-label randomised trial. Lancet. 2010;376(9746):1085-1092.
10. Nevitt MC, Cummings SR, Stone KL, et al. Risk factors for a first-incident radiographic vertebral fracture in women >= 65 years of age: the study of osteoporotic fractures. J Bone Miner Res. 2005;20(1):131-140.
11. Cooper C, Atkinson EJ, O'Fallon WM, Melton LJ 3rd. Incidence of clinically diagnosed vertebral fractures: a population-based study in Rochester, Minnesota, 1985-1989. J Bone Miner Res. 1992;7(2):221-227.
12. Bliuc D, Nguyen ND, Milch VE, Nguyen TV, Eisman JA, Center JR. Mortality risk associated with low-trauma osteoporotic fracture and subsequent fracture in men and women. JAMA. 2009;301(5):513-521.
Videocast SBC
Watch Videocast
Treatise in Debate

Official videocast derived from the treatise chapters.

Episode 1 – Chapter 8: Sagittal Plane Spinal Alignment

Discussion with the authors on fundamental concepts of sagittal alignment, radiographic parameters, and clinical significance.

Watch episode