InicioEl TratadoCapítulosCapítulo 83
Tratado de Cirurgia da Coluna Vertebral
SECCIÓN 8Técnicas Quirúrgicas
Capítulo83

Corsé de Yeso para Escoliosis de Inicio Temprano

La lectura completa de este capítulo está disponible exclusivamente en la edición impresa del Tratado.
Sec. 8Técnicas Quirúrgicas
Cap. 83Capítulo Clínico
3autores
Português
Español
English
Referênciascitas científicas
📑

Resumen del capítulo

Contexto: A utilização de imobilização gessada na columna vertebral remonta ao início do século XX, tendo sido sistematizada por Risser com gessos sob compressão lateral. Em 1964, Cotrel introduziu o conceito EDF (elongation, derotation, flexion) com correias corretivas. O método caiu em desuso relativo devido a resultados inconsistentes e ao avanço das instrumentações cirúrgicas, mas foi redefinido por Mehta com a técnica de derrotação manual sem correias para a escoliosis idiopática infantil. Essa reformulação demonstrou que a aplicação precoce, antes dos 18 a 24 meses, pode alcançar a resolução completa da curva em casos selecionados. Atualmente, o gesso seriado é reconhecido como uma estratégia de preservação do crescimento na escoliosis de início precoce. O método permite controlar a deformidade, adiar ou eliminar intervenções cirúrgicas definitivas e sistemas de crescimento, garantindo que o crescimento da columna torácica e o desenvolvimento pulmonar ocorram em taxas normais.
Objetivo del capítulo: Este capítulo visa capacitar o leitor na aplicação prática do colete gessado seriado pela técnica EDF modificada por Mehta para escoliosis de início precoce. Ao final do estudo, o profissional deverá dominar a seleção de pacientes, o planejamento pré-tratamento com estudios de imagen e a confecção do gesso. Além disso, aprenderá a mensurar resultados clínicos, prevenir e manejar complicações como lesões por pressão e aplicar um algoritmo decisório reprodutível na prática médica.
Indicações e Seleção de PacientesO gesso seriado sob anestesia geral é indicado como tratamento inicial nas escolioses de início precoce idiopáticas e sindrômicas. Em crianças menores de dois anos com curvas entre 45 e 60 graus, possibilita a cura da deformidade. Em crianças mais velhas ou com curvas não idiopáticas, atua retardando a indicação de artrodeses ou hastes de crescimento. Nas escolioses congênitas, visa limitar a progressão da curva compensatória. Nas neuropáticas, exige análise criteriosa devido ao risco de deformação costal por hipotonia/osteopenia e maior propensão a complicações respiratórias.
Planejamento e Preparação TécnicaO planejamento exige exame neurológico detalhado e resonancia magnética (RM) do neuroeixo para afastar anomalias intrarraquidianas ou tumores. Radiograficamente, avaliam-se o ângulo de Cobb, o diferencial do ângulo costo-vertebral de Mehta (RVAD) e a altura da columna torácica. A montagem necessita de mesa para tração cefálica e pélvica; na ausência da mesa de Risser, el capítulo describe uma estrutura alternativa montada com tubos de PVC. O procedimento é realizado sob anestesia geral superficial com sondagem nasogástrica, cânula de Guedel e proteção ocular e auricular.
Execução da Técnica EDF e ModelagemA tração (50% proximal e 50% distal) é aplicada com quadris flexionados a 45 graus. A derrotação manual é executada posicionando uma mão posteriormente no ápice da giba costal e outra no hemitórax anterior contralateral, com auxílio de um espelho e suporte de dois auxiliares. As proeminências ósseas são acolchoadas com feltro e algodão. Após a aplicação do gesso convencional e sintético, realizam-se janelas assimétricas: a anterior é mais ampla na convexidade para expansão torácica, e a posterior situa-se na concavidade para permitir expansão rib-cage sem ultrapassar a linha média.
Seguimento e ComplicaçõesAs trocas ocorrem a cada 2 meses (até 2 anos de idade), 3 meses (até 3 anos) e 4 meses (a partir dos 4 anos), não excedendo quatro gessos consecutivos sem reavaliação global. Na troca, respeita-se um período de 2 a 4 horas de pele livre após higiene suave. A complicação mais frequente é a Lesão por Pressão Relacionada a Dispositivo Médico (LPRDM), localizada no ilíaco, axilas e vértebra apical. Complicações respiratórias duradouras ou deficits por anestesias repetidas não são sustentados pela literatura quando realizada a monitoração adequada.
Aplicación clínica: Os conhecimentos apresentados orientam diretamente a tomada de decisão no consultório e no centro cirúrgico. Na fase diagnóstica, a triagem com resonancia magnética (RM) impede a aplicação inadvertida de forças de tração em pacientes com malformações intrarraquidianas. O cálculo do RVAD e a idade da criança definem se o objetivo principal será a resolução completa ou o adiamento da cirurgia. Durante a execução, a correta aplicação das forças tridimensionais sem compressão lateral excessiva previne deformidades de arcos costais. A confecção precisa da janela anterior assimétrica garante a expansão pulmonar adequada, enquanto a janela posterior na concavidade favorece a correção da curva. No seguimento, o protocolo de cuidados com a pele é vital. A inspeção cuidadosa das zonas de ancoragem (crista ilíaca, axila e vértebra apical) associada ao intervalo de descanso cutâneo de 2 a 4 horas previne a progressão de LPRDM. Caso ocorram lesões superficiais, reforços de acolchoamento e curativos locais permitem manter o tratamento sem interrupções precipitadas.
🏷️

Palabras clave

Descriptores DeCS/MeSH preferenciales:
Coluna VertebralProcedimentos Cirúrgicos OperatóriosDiagnóstico por ImagemArtrodeseBiomecânicaQualidade de VidaReabilitação

Por qué importa este capítulo

Este capítulo é indispensável por desmistificar a imobilização gessada e apresentar uma solução altamente eficaz e de baixo custo para o manejo da escoliosis de início precoce. Ele capacita o cirurgião a proteger a função pulmonar do paciente e adiar procedimentos invasivos complexos. Ao detalhar a confecção de uma mesa de tração em PVC e estratégias sistemáticas de prevenção de lesões por pressão, a obra preenche uma lacuna prática essencial, oferecendo reprodutibilidade técnica e segurança ao procedimento.

O colete gessado seriado pela técnica EDF modificada por Mehta é um tratamiento conservador de primeira linha na escoliosis de início precoce, capaz de curar curvas idiopáticas se iniciado antes dos dois anos ou adiar a intervenção cirúrgica preservando o crescimento toracoabdominal. Sua eficácia depende da seleção precisa do paciente, da técnica rigorosa de derrotação e da prevenção ativa de lesões cutâneas por pressão.

Destacados del capítulo

🌐
Card 1 — Conceito essencial
Título: Preservação do crescimento torácico longitudinal

Texto: O gesso seriado permite que a columna torácica cresça em taxas semelhantes às de crianças saudáveis. Ao manter a expansão do tórax, o método evita a rigidez precoce e preserva o desenvolvimento volumétrico pulmonar, essencial para afastar o risco futuro de doença pulmonar restritiva.

🩺
Card 2 — Decisão clínica
Título: Janela de oportunidade em jovens

Texto: A indicação do gesso antes dos 18 a 24 meses de idade em curvas idiopáticas ou sindrômicas inferiores a 60° oferece chances reais de resolução completa da deformidade. Em fases posteriores, o objetivo principal migra para o controle da progressão e o adiamento de cirurgias de crescimento.

📐
Card 3 — Pérola ou alerta
Título: Prevenção ativa de LPRDM

Texto: Cristas ilíacas, axilas e a vértebra apical concentram os maiores níveis de estresse mecânico no gesso EDF. Respeitar a pausa de 2 a 4 horas de pele livre e higienizar com sabonete oleoso na troca evita a progressão de lesões por pressão e a interrupção do tratamento.

📚

Referencias bibliográficas

1. Morin C, Kulkarni S. ED plaster-of-Paris jacket for infantile scoliosis. Eur Spine J. 2014 Jul;23 Suppl 4:S412–8.
2. Mehta MH. Growth as a corrective force in the early treatment of progressive infantile scoliosis. J Bone Joint Surg Br. 2005 Sep;87(9):1237–47.
3. Baulesh DM, Huh J, Judkins T, Garg S, Miller NH, Erickson MA. The role of serial casting in early-onset scoliosis (EOS). J Pediatr Orthop. 2012 Oct-Nov;32(7):658–63.
4. Regan CM, Milbrandt TA, Stans AA, Grigoriou E, Larson AN. Minimum 5-Year Results of Elongation Derotation Flexion Casting for Early Onset Scoliosis: The Story Is Not Over Until Skeletal Maturity. J Pediatr Orthop. 2023 Sep 1;43(8):475–80.
5. Fedorak GT, MacWilliams BA, Stasikelis P, Szczodry M, Lerman J, Pahys JM, et al. Age-Stratified Outcomes of Mehta Casting in Idiopathic Early-Onset Scoliosis: A Multicenter Review. J Bone Joint Surg Am. 2022 Nov 16;104(22):1977–83.
6. Adamczyk J, Duda S, Kacki W, Jasiewicz B, Potaczek T. Serial Casting for Early-Onset Scoliosis. J Clin Med. 2025 Jun 18;14(12).
7. Fedorak GT, D’Astous JL, Nielson AN, MacWilliams BA, Heflin JA. Minimum 5-Year Follow-up of Mehta Casting to Treat Idiopathic Early-Onset Scoliosis. J Bone Joint Surg Am. 2019 Sep 4;101(17):1530–8.
8. Hassanzadeh H, Nandyala SV, Puvanesarajah V, Manning BT, Jain A, Hammerberg KW. Serial Mehta Cast Utilization in Infantile Idiopathic Scoliosis: Evaluation of Radiographic Predictors. J Pediatr Orthop. 2017 Sep;37(6):387–91.
9. Fletcher ND, McClung A, Rathjen KE, Denning JR, Browne R, Johnston CE 3rd. Serial casting as a delay tactic in the treatment of moderate-to-severe early-onset scoliosis. J Pediatr Orthop. 2012 Oct-Nov;32(7):664–71.
10. Demirkiran HG, Bekmez S, Celilov R, Ayvaz M, Dede O, Yazici M. Serial derotational casting in congenital scoliosis as a time-buying strategy. J Pediatr Orthop. 2015 Jan;35(1):43–9.
11. Martin BD, McClung A, Denning JR, Laine JC, Johnston CE. Intrathecal Anomalies in Presumed Infantile Idiopathic Scoliosis: When Is MRI Necessary? Spine Deform. 2014 Nov;2(6):444–7.
12. Pereira EAC, Oxenham M, Lam KS. Intraspinal anomalies in early-onset idiopathic scoliosis. Bone Joint J. 2017 Jun;99-B(6):829–33.
13. Mehta MH. The rib-vertebra angle in the early diagnosis between resolving and progressive infantile scoliosis. J Bone Joint Surg Br. 1972 May;54(2):230–43.
14. Karol LA, Johnston C, Mladenov K, Schochet P, Walters P, Browne RH. Pulmonary function following early thoracic fusion in non-neuromuscular scoliosis. J Bone Joint Surg Am. 2008 Jun;90(6):1272–81.
15. Sanders JO, D’Astous J, Fitzgerald M, Khoury JG, Kishan S, Sturm PF. Derotational casting for progressive infantile scoliosis. J Pediatr Orthop. 2009 Sep;29(6):581–7.
16. Iorio J, Orlando G, Diefenbach C, Gaughan JP, Samdani AF, Pahys JM, et al. Serial Casting for Infantile Idiopathic Scoliosis: Radiographic Outcomes and Factors Associated With Response to Treatment. J Pediatr Orthop. 2017 Jul/Aug;37(5):311–6.
17. Waldron SR, Poe-Kochert C, Son-Hing JP, Thompson GH. Early onset scoliosis: the value of serial risser casts. J Pediatr Orthop. 2013 Dec;33(8):775–80.
18. Ulusaloglu AC, Asma A, Rogers KJ, Bowen JR, Mackenzie WG, Mackenzie WGS. Elongation-Derotation-Flexion Casting Treatment of Early-Onset Progressive Scoliosis in Skeletal Dysplasia. J Pediatr Orthop. 2022 Mar 1;42(3):e229–33.
19. Yang S, Andras LM, Redding GJ, Skaggs DL. Early-Onset Scoliosis: A Review of History, Current Treatment, and Future Directions. Pediatrics. 2016 Jan;137(1).
20. National Pressure Injury Advisory Panel (NPIAP); European Pressure Ulcer Advisory Panel (EPUAP); Pan Pacific Pressure Injury Alliance (PPPIA). Prevention and treatment of pressure ulcers/injuries: clinical practice guideline. 3rd ed. Osborne Park: Cambridge Media; 2019.
21. Gefen A, Brienza DM, Cuddigan J, Haesler E, Kottner J. Our contemporary understanding of the aetiology of pressure ulcers/pressure injuries. Int Wound J. 2022 Mar;19(3).
22. Welborn M, Sanders J, D’Astous J. The Evolution of EDF Casting: Current Concept Review. JPOSNA. 2021 May 1;3(2).
23. Zhang N, Li Y, Li X, Li F, Jin Z, Li T, et al. Incidence of medical device-related pressure injuries: a meta-analysis. Eur J Med Res. 2024 Aug 19;29(1):425.
24. Shafer C, Mahajan R, Kishan S. EDF Casting for Early Onset Scoliosis: What We Learned From 175 Castings. Spine (Phila Pa 1976). 2021 Jul 1;46(13):852–60.
25. Sugawara R, Kikkawa I, Watanabe H, Taki N, Tomisawa H, Takeshita K. Clinical Results of Corrective Cast and Brace Treatment for Early-onset Scoliosis: The Effectiveness of Long-term Cast Treatment That Extends into Children’s Schooldays. J Pediatr Orthop. 2021 Sep 1;41(8):e635–40.
26. Baky FJ, Milbrandt TA, Flick R, Larson AN. Cumulative Anesthesia Exposure in Patients Treated for Early-Onset Scoliosis. Spine Deform. 2018 Nov-Dec;6(6):781–6.
27. U.S. Food and Drug Administration. FDA Drug Safety Communication: FDA warns that early-onset/repetitive use of general anesthetics and sedation drugs in young children may affect brain development. 2016 Dec.
Videocast SBC
Ver Videocast
Tratado en Debate

Videocast oficial derivado de los capítulos del tratado.

Episodio 1 – Capítulo 8: Columna Vertebral en el Plano Sagital

Discusión con los autores sobre los conceptos fundamentales del equilibrio sagital, parámetros radiográficos y su importancia clínica.

Ver episodio