HomeThe TreatiseChaptersChapter 31
Tratado de Cirurgia da Coluna Vertebral
SECTION 4Spinal Deformities
Chapter31

Deformities in Spinal Dysraphism

Full reading of this chapter is available exclusively in the printed edition of the Treatise.
Sec. 4Spinal Deformities
Cap. 31Clinical Chapter
3authors
Português
Español
English
Referênciasscientific citations
📑

Chapter Summary

Context: Os disrafismos espinhais constituem um espectro de malformações congênitas decorrentes de alterações no fechamento da linha média e podem comprometer medula espinal, vértebras e tecidos adjacentes. Nas formas abertas, especialmente na mielomeningocele, deformidades vertebrais precoces e complexas são frequentes; nos disrafismos fechados, alterações como medula presa, diastematomielia e lipomas podem produzir deformidade progressiva de instalação mais insidiosa. scoliosis, kyphosis, cifoescoliose e obliquidade pélvica resultam da interação entre malformações ósseas, ausência de elementos posteriores, comprometimento neurológico, desequilíbrio muscular e crescimento assimétrico. Essas deformidades afetam não apenas a aparência da coluna, mas também o equilíbrio sentado, a ventilação, a integridade da pele, a utilização de órteses e a autonomia funcional. O manejo é particularmente desafiador porque alterações do neuroeixo, urológicas, respiratórias, cutâneas e nutricionais frequentemente coexistem e modificam substancialmente o risco e os objetivos do tratamento.
Chapter Objective: Apresentar os mecanismos responsáveis pelas deformidades vertebrais associadas aos disrafismos espinhais e organizar sua avaliação clínica, funcional e radiológica. O leitor deverá reconhecer os principais padrões de scoliosis e kyphosis, compreender a influência do nível neurológico e da obliquidade pélvica, identificar condições associadas relevantes e compreender os princípios que orientam conservative treatment, cifosectomia, spinal fusion longa, fixação espinopélvica e estratégias de preservação do crescimento.
Disrafismo, neurologia e deformidadeO capítulo diferencia disrafismos abertos e fechados, organização apresentada na Figura 1. A mielomeningocele representa a forma aberta de maior relevância clínica, enquanto os disrafismos fechados incluem alterações com diferentes graus de comprometimento neural e estrutural. A fisiopatologia das deformidades resulta de três componentes interdependentes: instabilidade estrutural, desequilíbrio neuromuscular e crescimento vertebral assimétrico. A ausência ou hipoplasia de elementos posteriores reduz a estabilidade passiva; a denervação muscular compromete o controle ativo do tronco; e o crescimento sobre uma coluna assimétrica consolida progressivamente a deformidade. Medula presa, siringomielia, malformação de Chiari e hidrocefalia acrescentam fatores capazes de modificar função e progressão.
Padrões de deformidadeA kyphosis angular rígida de raio curto é característica dos pacientes mais comprometidos com mielomeningocele e pode estar presente desde o nascimento. A Figura 2 demonstra sua progressão quando não tratada. Cifoses de raio longo e cifoescolioses também podem ocorrer. A scoliosis frequentemente assume padrão longo em “C”, ilustrado na Figura 3, e pode associar-se a obliquidade pélvica importante. Nos disrafismos fechados, curvas semelhantes podem aparecer progressivamente em associação à tração medular ou à assimetria neurológica. O nível motor funcional modifica o comportamento: quanto mais proximal o comprometimento, menores tendem a ser o controle do tronco e a capacidade de compensação, com maior probabilidade de deformidades estruturadas e dificuldade de posicionamento.
O paciente além da colunaA avaliação precisa incorporar quadris, joelhos e pés, bem como condições neurológicas e neurocirúrgicas. Hidrocefalia, disfunção de derivação, siringomielia e medula presa podem modificar a apresentação clínica e precisam ser reconhecidas antes de atribuir uma piora funcional exclusivamente à deformidade. Disfunções urinárias e intestinais, alterações respiratórias, integridade cutânea e estado nutricional são igualmente relevantes. A Figura 6 demonstra uma consequência particularmente importante da kyphosis grave: ulceração sobre o ápice da deformidade. O capítulo também enfatiza a elevada frequência de sensibilização ao látex nessa população e a necessidade de ambiente perioperatório apropriado.
Avaliação clínica e por imagemfull-spine panoramic radiographs devem representar a postura funcional do paciente — em ortostase ou sentado, conforme sua capacidade — e podem ser complementadas por estudos de flexibilidade, como exemplifica a Figura 7. A computed tomography (CT) com reconstrução tridimensional auxilia em anatomias ósseas complexas e no planejamento das ancoragens (Figura 8). A magnetic resonance imaging (MRI) avalia o neuroeixo e assume papel especial quando existe regressão funcional, progressão inesperada, alterações esfincterianas ou suspeita de medula presa, siringomielia ou outras alterações associadas (Figura 9).
Tratamento orientado à funçãoFisioterapia, posicionamento e adequação da cadeira de rodas podem melhorar conforto, função e distribuição das pressões, embora não corrijam deformidades estruturadas importantes. O uso de coletes é apresentado como limitado e altamente individualizado devido à rigidez das curvas, alterações sensitivas e risco cutâneo. Quando o surgical treatment é necessário, the chapter describes três grandes estratégias: cifosectomia para determinadas cifoses angulares graves, spinal fusion posterior longa com eventual extensão à pelve e sistemas de crescimento para pacientes selecionados ainda imaturos. As Figuras 11 a 13 exemplificam essas reconstruções. A escolha depende de morfologia, flexibilidade, nível neurológico, função, pele, qualidade óssea e crescimento remanescente.
Clinical Application: Na prática, o planejamento deve começar pela pergunta funcional: como a deformidade interfere na vida daquele paciente? Capacidade de sentar, deambular quando possível, realizar transferências, utilizar órteses, manter higiene e integridade da pele devem ser analisadas juntamente com alinhamento e obliquidade pélvica. O nível motor funcional ajuda a interpretar a capacidade de compensação e o prognóstico biomecânico. Uma piora recente da curva, da marcha, da sensibilidade ou do controle esfincteriano não deve ser atribuída automaticamente ao crescimento da deformidade. O capítulo recomenda investigação do neuroeixo e das condições associadas antes da correção vertebral. A preparação para cirurgia é necessariamente multidisciplinar. Função respiratória, nutrição, trato urinário, hidrocefalia e derivações, condição cutânea e risco relacionado ao látex precisam ser considerados. Cicatrizes lombossacras, pele atrófica ou úlceras podem transformar a cobertura de partes moles em elemento determinante do planejamento e justificar participação precoce da cirurgia plástica. Nos não deambuladores, equilíbrio sentado e relação coluna-pelve ganham especial importância; nos pacientes que mantêm marcha funcional, a extensão da spinal fusion deve considerar o impacto potencial sobre essa capacidade. A elevada incidência de infecção, problemas de cicatrização, pseudarthrosis e falha mecânica reforça a necessidade de selecionar objetivos realistas e evitar que a busca por correção radiográfica suplante o ganho funcional esperado.
🏷️

Keywords

Preferred DeCS/MeSH Descriptors:
Disrafismo EspinalSpinal DysraphismMeningomieloceleMeningomyeloceleEspinha Bífida OcultaSpina Bifida OccultascoliosisScoliosiskyphosisKyphosisSiringomieliaSyringomyeliaHidrocefaliaHydrocephalusMalformação de Arnold-ChiariArnold-Chiari Malformation

Why this chapter matters

Poucas deformidades exigem do cirurgião uma visão tão ampla quanto aquelas associadas aos disrafismos. Uma correção tecnicamente adequada pode fracassar se houver medula presa não reconhecida, infecção urinária, pele incapaz de cobrir os implantes ou desequilíbrio pélvico incompatível com a função do paciente. Este capítulo mostra por que a coluna não pode ser tratada isoladamente. Ao integrar neurocirurgia, urologia, reabilitação, função respiratória, pele, nutrição e objetivos de mobilidade, ele transforma uma reconstrução complexa em um planejamento centrado no paciente e em sua funcionalidade.

As deformidades nos disrafismos espinhais são consequência de uma interação complexa entre malformação óssea, déficit neurológico, desequilíbrio muscular, crescimento e alterações espinopélvicas. Seu tratamento não deve ser orientado apenas pela magnitude da curva. Nível funcional, neuroeixo, equilíbrio sentado, pele, função respiratória e urológica, nutrição e potencial de crescimento precisam participar da decisão. O objetivo é construir uma coluna funcionalmente estável e compatível com as necessidades globais do paciente.

Chapter Highlights

🌐
Card 1 — Conceito essencial
Três forças moldam a deformidade

Malformação estrutural, desequilíbrio neuromuscular e crescimento assimétrico atuam simultaneamente nos disrafismos. Essa combinação explica por que algumas curvas surgem cedo, tornam-se rígidas e podem continuar progredindo mesmo após o crescimento, diferentemente do comportamento esperado em outras formas de scoliosis.

🩺
Card 2 — Decisão clínica
Trate a função, não o Cobb

A magnitude da curva é apenas um componente da indicação. Equilíbrio sentado, obliquidade pélvica, nível neurológico, capacidade de marcha, pele, função respiratória e impacto sobre os cuidados diários podem ser mais importantes para definir se, quando e até onde reconstruir a coluna.

📐
Card 3 — Pérola ou alerta
Investigue piora neurológica primeiro

Progressão rápida da deformidade, perda funcional, dor nova ou alteração esfincteriana podem sinalizar medula presa, siringomielia ou disfunção associada do neuroeixo. Antes de atribuir a mudança apenas à curva e planejar sua correção, é essencial esclarecer e, quando indicado, tratar a causa neurológica subjacente.

📚

Bibliographic References

1. White C, Milla SS, Maloney JA, Neuberger I. Imaging of congenital spine malformations. Clin Perinatol. 2022;49(3):623-40. doi:10.1016/j.clp.2022.05.003.
2. Dewald CJ, Dewald RL. Spinal deformities: the comprehensive text. 2nd ed. New York: Thieme; 2024.
3. Luciano MG, Elbabaa SK. Myelomeningocele and associated anomalies. In: Benzel’s Spine Surgery. 4th ed. Elsevier; 2016.
4. Trivedi J, Thomson JD, Armstrong DG. Management of scoliosis in myelodysplasia. J Pediatr Orthop. 2002;22(6):727-36.
5. Gabos PG. Surgical treatment of spinal deformity in myelomeningocele. In: Samdani AF, et al., editors. Neuromuscular spine deformity. New York: Thieme; 2018. p. 49-58.
6. Altiok H, Finlayson C, Hassani S, et al. Kyphectomy in children with myelomeningocele. Clin Orthop Relat Res. 2011;469(5):1272-78.
7. Canaz H, Alatas I, Canaz G, et al. Surgical treatment of patients with myelomeningocele-related spine deformities: study of 26 cases. Childs Nerv Syst. 2018;34(8):1367-74.
8. Rothman RH, Simeone FA. The spine. 7th ed. Elsevier; 2017.
9. Hwang SW, Samdani AF. Spinal dysraphisms. In: Samdani AF, Hwang SW, editors. Spinal deformities. 2nd ed. Thieme; 2024.
10. Cavali PTM, Rossato AJ, Lima MC. Deformidades paralíticas da coluna vertebral. In: Hebert S, Lech O, editores. Ortopedia e traumatologia: princípios e prática. 6ª ed. Rio de Janeiro: Di Livros; 2024. p. 167-76.
11. Balioglu MB, Akman YE, Ucpunar H, et al. Sacral agenesis: evaluation of accompanying pathologies in 38 cases, with analysis of long-term outcomes. Childs Nerv Syst. 2016;32(9):1693-1702.
12. Canaz H, Alatas I, Canaz G, et al. Surgical treatment of patients with myelomeningocele-related spine deformities: study of 26 cases. Childs Nerv Syst. 2018;34(8):1367-74.
13. Tsitouras V, Sgouros S. Syringomyelia and tethered cord in children. Childs Nerv Syst. 2013;29(9):1625-34.
14. Dewald RL, Dewald CJ. Spinal deformities: the comprehensive text. 2nd ed. Thieme; 2024.
15. Abousamra O, Nishnianidze T, Rogers KJ, et al. Correction of pelvic obliquity after spinopelvic fixation in children with cerebral palsy: a comparison study. Spine Deform. 2016;4(3):217-224.
16. Loughenbury PR, Tsirikos AI. Current concepts in the treatment of neuromuscular scoliosis: clinical assessment, treatment options, and surgical outcomes. Bone Jt Open. 2022;3(1):85-92.
17. McCoy A, et al. Spina bifida orthopedic management chart. In: Spina Bifida. 2025.
18. Canaz H, Alatas I, Canaz G, et al. Surgical treatment of patients with myelomeningocele-related spine deformities: study of 26 cases. Childs Nerv Syst. 2018;34(8):1367-74.
19. Dewald RL, Dewald CJ. Spinal deformities: the comprehensive text. 2nd ed. New York: Thieme; 2024.
20. Iskandar BJ, Finnell RH. Spina bifida. N Engl J Med. 2022;387(5):444-50. doi:10.1056/NEJMra2116032.
21. McCoy A, Long C, Furey C, et al. Spina bifida: orthopedic and multidisciplinary management. Phys Med Rehabil Clin N Am. 2025;36(3):513-30. doi:10.1016/j.pmr.2025.03.003.
22. Kelly C, Veenstra DL, Lee TA. Latex allergy: prevalence and risk factors in patients with spina bifida. Pediatrics. 2000;105(5):E71. doi:10.1542/peds.105.5.e71.
23. Karataş G, Turan S, Öner A, et al. Surgical outcomes of kyphosis correction in myelomeningocele using the sliding growing rod technique: a retrospective cohort study. J Orthop Surg Res. 2024;19(1):114. doi:10.1186/s13018-024-04089-x.
24. Abousamra O, Nishnianidze T, Rogers KJ, et al. Correction of pelvic obliquity after spinopelvic fixation in children with cerebral palsy: a comparison study. Spine Deform. 2016;4(3):217-24.
25. Gabos PG. Surgical treatment of spinal deformity in myelomeningocele. In: Samdani AF, Newton PO, Sponseller PD, et al., editors. Neuromuscular spine deformity. New York: Thieme; 2018. p. 49-58.
26. Rothman RH, Simeone FA. The spine. 7th ed. Garfin SR, Eismont FJ, Bell GR, et al., editors. Elsevier-OHCE; 2017.
27. Kocaoglu M, Genc Y, Arazi M, et al. The effect of using polyaxial screws in kyphectomy for myelomeningocele: a comparative analysis. Childs Nerv Syst. 2015;31(2):235-42.
28. Maeda Y, Nagura T, Nakamura M, Yamamoto H, Watanabe K. Automatic measurement of the Cobb angle for adolescent idiopathic scoliosis using convolutional neural network. Sci Rep. 2023;13:14576. doi:10.1038/s41598-023-41821-y.
29. Xie K, Zhu S, Lin J, Li Y, Huang J, et al. A deep learning model for radiological measurement of adolescent idiopathic scoliosis using biplanar radiographs. J Orthop Surg Res. 2025;20:236. doi:10.1186/s13018-025-05620-7.
30. Qiu Z, Yang J, Wang J, et al. MMANet: multiple morphology-aware network for automated Cobb angle measurement. arXiv. 2023. arXiv:2309.13817.
31. Li K, Gu H, Colglazier R, et al. Deep learning automates Cobb angle measurement compared with multi-expert observers. arXiv. 2024. arXiv:2403.12115.
32. Li L, Wong MS. The application of machine learning methods for predicting the progression of adolescent idiopathic scoliosis: a systematic review. Biomed Eng Online. 2024;23:80. doi:10.1186/s12938-024-01272-6.
Videocast SBC
Watch Videocast
Treatise in Debate

Official videocast derived from the treatise chapters.

Episode 1 – Chapter 8: Sagittal Plane Spinal Alignment

Discussion with the authors on fundamental concepts of sagittal alignment, radiographic parameters, and clinical significance.

Watch episode