HomeThe TreatiseChaptersChapter 71
Tratado de Cirurgia da Coluna Vertebral
SECTION 8Surgical Techniques
Chapter71

Oblique Lumbar Interbody Fusion (OLIF)

Full reading of this chapter is available exclusively in the printed edition of the Treatise.
Sec. 8Surgical Techniques
Cap. 71Clinical Chapter
2authors
Português
Español
English
Referênciasscientific citations
📑

Chapter Summary

Context: A lumbar fusion oblíqua utiliza um corredor retroperitoneal anterior ao músculo psoas para alcançar a coluna sem transpor diretamente sua massa muscular. Essa estratégia, também relacionada ao conceito anterior-to-psoas, surgiu como alternativa às abordagens laterais transpsoas, procurando reduzir a interação com o plexo lombar e manter as vantagens de uma reconstrução intersomática minimamente invasiva. O acesso permite a inserção de espaçadores amplos, restauração da altura discal, decompression indireta e correção nos planos sagital e coronal. Pode ser empregado em doença degenerativa, spondylolisthesis, estenoses selecionadas, scoliosis e determinados cenários de revisão ou infecção. Seu principal requisito é a existência de um corredor anatômico adequado entre o psoas e os grandes vasos. Dessa forma, a avaliação pré-operatória da anatomia vascular não é acessória: ela define se a técnica é viável e qual trajetória oferece menor risco.
Chapter Objective: Explicar os fundamentos do acesso oblíquo lombar, suas indicações e limitações anatômicas e os princípios que orientam preparação discal, decompression indireta e estabilização. O capítulo busca capacitar o leitor a avaliar o corredor entre psoas e vasos, reconhecer riscos vasculares e viscerais, compreender aplicações em deformidade e revisão e interpretar resultados e complicações da OLIF.
Conceito anatômicoA OLIF acessa o disco pelo espaço retroperitoneal anterior ao psoas, evitando sua travessia direta. Isso diferencia a técnica do XLIF, que utiliza corredor transpsoas. O ponto central do planejamento é confirmar a existência de uma janela segura. A Figura 71.4 destaca a relação dos grandes vasos com o corredor, especialmente importante diante de vértebras transicionais e deformidades que podem modificar a anatomia habitual.
Indicaçõesthe chapter describes aplicações em doença degenerativa discal, dor discogênica selecionada, listese lateral, spondylolisthesis, estenoses de menor ou moderada magnitude, foraminal stenosis ou do recesso lateral e scoliosis degenerativa. A técnica pode ser atraente em revisões porque utiliza corredor diferente do acesso posterior e pode evitar dissecção de fibrose epidural. Também é descrita em determinados casos infecciosos, nos quais o acesso anterior permite desbridamento e reconstrução.
Contraindicações e limitaçõesA ausência de corredor vascular satisfatório é a principal limitação. Anomalias vasculares, deformidade que desloque vasos ou relações desfavoráveis com grandes osteófitos aumentam o risco. Segmentos espontaneamente fusionados ou com anquilose facetária podem não permitir a correção pretendida por simples distração intersomática e exigir técnicas de maior poder corretivo.
Resultados e estabilizaçãoO capítulo relata ganho de altura discal, melhora de parâmetros radiográficos e resultados clínicos favoráveis em séries publicadas. A posterior instrumentation está associada a maior estabilidade e, segundo os autores, melhores taxas de fusão em diversas situações. A decompression obtida pelo restabelecimento da altura é predominantemente indireta. Compressão óssea fixa ou estenose cuja morfologia não responda à distração deve ser reconhecida previamente.
Complicações e inovaçãoLesões vasculares são as complicações mais temidas. Também são descritas lesões ureterais, eventos abdominais, íleo, disfunção simpática, sintomas transitórios relacionados ao psoas e complicações do cage, incluindo subsidência e migração. Navegação e robótica podem auxiliar no planejamento e instrumentação. Endoscopia associada e implantes personalizados produzidos por impressão 3D são apontados como desenvolvimentos futuros, ainda dependentes de maior validação.
Clinical Application: O planejamento da OLIF deve começar pela anatomia do corredor, e não pela patologia isoladamente. RM e TC permitem avaliar psoas, vasos, osteófitos, altura discal e características da estenose. Quando a janela anterior ao psoas é estreita ou inexistente, insistir na abordagem elimina sua principal vantagem. Em doença degenerativa com perda de altura e foraminal stenosis, um espaçador amplo pode restaurar dimensões do segmento e produzir decompression indireta. O mesmo princípio é útil em scoliosis degenerativa e listese lateral, permitindo correção simultânea em dois planos. Em revisão, evitar a cicatriz posterior pode reduzir a necessidade de manipular dura e raízes previamente operadas. Contudo, cirurgia abdominal ou retroperitoneal anterior também pode alterar o corredor e deve ser considerada. A proteção das placas terminais é indispensável. A obtenção de altura ou correção não justifica preparo agressivo capaz de causar subsidência. posterior instrumentation deve ser individualizada segundo estabilidade, qualidade óssea e objetivos biomecânicos.
🏷️

Keywords

Preferred DeCS/MeSH Descriptors:
Fusão VertebralSpinal FusionVértebras LombaresLumbar VertebraeProcedimentos Cirúrgicos Minimamente InvasivosMinimally Invasive Surgical ProceduresspondylolisthesisSpondylolisthesisEstenose EspinalSpinal StenosisscoliosisScoliosispostoperative complicationsPostoperative Complications

Why this chapter matters

A diferença entre uma excelente indicação para OLIF e um acesso de alto risco pode estar na anatomia vascular de poucos centímetros. O capítulo enfatiza que o corredor cirúrgico precisa ser demonstrado para cada paciente. Essa avaliação também permite explorar uma das maiores vantagens da técnica: chegar à coluna anterior sem atravessar psoas nem cicatriz posterior. Compreender quando a decompression indireta será suficiente evita tanto cirurgias posteriores desnecessárias quanto descompressões incompletas.

A OLIF baseia-se em uma ideia simples, mas anatomicamente exigente: alcançar o espaço discal anteriormente ao psoas e lateralmente aos grandes vasos. Quando esse corredor existe, a técnica permite reconstrução intersomática, decompression indireta e correção com baixa agressão posterior. O estudo vascular pré-operatório, a seleção da estenose passível de decompression indireta e a preservação das placas terminais são determinantes para segurança.

Chapter Highlights

🌐
Card 1 — O corredor precisa existir
A OLIF não deve ser escolhida apenas pela doença. A relação individual entre psoas, grandes vasos e disco precisa demonstrar uma janela segura antes que a abordagem seja considerada adequada.

🩺
Card 2 — Indireta exige seleção
A restauração da altura pode aliviar determinadas estenoses sem manipular diretamente o canal. Compressão óssea fixa ou anatomia desfavorável reduz a previsibilidade desse mecanismo.

📐
Card 3 — Revisão por outro caminho
Em pacientes previamente operados por via posterior, o acesso oblíquo pode alcançar a coluna anterior sem atravessar a fibrose epidural. Essa vantagem deve ser equilibrada com a história abdominal e a anatomia retroperitoneal.

📚

Bibliographic References

1. Mayer MH. A new microsurgical technique for minimally invasive anterior lumbar interbody fusion. Spine. 1997;22(6):691-699.
2. Ozgur BM, Aryan HE, Pimenta L, Taylor WR. Extreme lateral interbody fusion: a novel surgical technique for anterior lumbar interbody fusion. Spine J. 2006;6:435-43.
3. Silvestre C, Mac-Thiong JM, Hilmi R, Roussouly P. Complications and morbidities of mini-open anterior retroperitoneal lumbar interbody fusion: oblique lumbar interbody fusion in 179 patients. Asian Spine J. 2012;6(2):89-97.
4. Jin Ko M, Park SW, Kim YB. Effect of cage in radiological differences between direct and oblique lateral interbody fusion techniques. J Korean Neurosurg Soc. 2019;62(4):432-441.
5. Mehren C, Mayer HM, Zandanell C, Siepe CJ, Korge A. The oblique anterolateral approach to the lumbar spine provides access with few early complications. Clin Orthop Relat Res. 2016;474(9):2020-7.
6. Li JX, Phan K, Mobbs R. Oblique lumbar interbody fusion: technical aspects, operative outcomes, and complications. World Neurosurg. 2017;98:113-123.
7. Woods KR, Billys JB, Hynes RA. Technical description of oblique lateral interbody fusion at L1-L5 and L5-S1 and evaluation of complication and fusion rates. Spine J. 2017;17(4):545-553.
8. Rawicki N, Dowdell JE, Sandhu HS. Current state of navigation in spine surgery. Ann Transl Med. 2021;9(1):85.
9. D’Souza M, Gendreau J, Feng A, Kim LH, Ho AL, Veeravagu A. Robotic-assisted spine surgery: history, efficacy, cost, and future trends. Robot Surg. 2019;6:9-23.
10. Lewandrowski KU, Vira S, Elfar JC, Lorio MP. Advancements in custom 3D-printed titanium interbody spinal fusion cages and their relevance in personalized spine care. J Pers Med. 2024;14(8):809.
Videocast SBC
Watch Videocast
Treatise in Debate

Official videocast derived from the treatise chapters.

Episode 1 – Chapter 8: Sagittal Plane Spinal Alignment

Discussion with the authors on fundamental concepts of sagittal alignment, radiographic parameters, and clinical significance.

Watch episode