• Contexto: A artrodese lombar oblíqua utiliza um corredor retroperitoneal anterior ao músculo psoas para alcançar a coluna sem transpor diretamente sua massa muscular. Essa estratégia, também relacionada ao conceito anterior-to-psoas, surgiu como alternativa às abordagens laterais transpsoas, procurando reduzir a interação com o plexo lombar e manter as vantagens de uma reconstrução intersomática minimamente invasiva. O acesso permite a inserção de espaçadores amplos, restauração da altura discal, descompressão indireta e correção nos planos sagital e coronal. Pode ser empregado em doença degenerativa, espondilolistese, estenoses selecionadas, escoliose e determinados cenários de revisão ou infecção. Seu principal requisito é a existência de um corredor anatômico adequado entre o psoas e os grandes vasos. Dessa forma, a avaliação pré-operatória da anatomia vascular não é acessória: ela define se a técnica é viável e qual trajetória oferece menor risco.
• Objetivo do capítulo: Explicar os fundamentos do acesso oblíquo lombar, suas indicações e limitações anatômicas e os princípios que orientam preparação discal, descompressão indireta e estabilização. O capítulo busca capacitar o leitor a avaliar o corredor entre psoas e vasos, reconhecer riscos vasculares e viscerais, compreender aplicações em deformidade e revisão e interpretar resultados e complicações da OLIF.
• Conceito anatômicoA OLIF acessa o disco pelo espaço retroperitoneal anterior ao psoas, evitando sua travessia direta. Isso diferencia a técnica do XLIF, que utiliza corredor transpsoas. O ponto central do planejamento é confirmar a existência de uma janela segura. A Figura 71.4 destaca a relação dos grandes vasos com o corredor, especialmente importante diante de vértebras transicionais e deformidades que podem modificar a anatomia habitual.
• IndicaçõesO capítulo descreve aplicações em doença degenerativa discal, dor discogênica selecionada, listese lateral, espondilolistese, estenoses de menor ou moderada magnitude, estenose foraminal ou do recesso lateral e escoliose degenerativa. A técnica pode ser atraente em revisões porque utiliza corredor diferente do acesso posterior e pode evitar dissecção de fibrose epidural. Também é descrita em determinados casos infecciosos, nos quais o acesso anterior permite desbridamento e reconstrução.
• Contraindicações e limitaçõesA ausência de corredor vascular satisfatório é a principal limitação. Anomalias vasculares, deformidade que desloque vasos ou relações desfavoráveis com grandes osteófitos aumentam o risco. Segmentos espontaneamente fusionados ou com anquilose facetária podem não permitir a correção pretendida por simples distração intersomática e exigir técnicas de maior poder corretivo.
• Resultados e estabilizaçãoO capítulo relata ganho de altura discal, melhora de parâmetros radiográficos e resultados clínicos favoráveis em séries publicadas. A instrumentação posterior está associada a maior estabilidade e, segundo os autores, melhores taxas de fusão em diversas situações. A descompressão obtida pelo restabelecimento da altura é predominantemente indireta. Compressão óssea fixa ou estenose cuja morfologia não responda à distração deve ser reconhecida previamente.
• Complicações e inovaçãoLesões vasculares são as complicações mais temidas. Também são descritas lesões ureterais, eventos abdominais, íleo, disfunção simpática, sintomas transitórios relacionados ao psoas e complicações do cage, incluindo subsidência e migração. Navegação e robótica podem auxiliar no planejamento e instrumentação. Endoscopia associada e implantes personalizados produzidos por impressão 3D são apontados como desenvolvimentos futuros, ainda dependentes de maior validação.
• Aplicação clínica: O planejamento da OLIF deve começar pela anatomia do corredor, e não pela patologia isoladamente. RM e TC permitem avaliar psoas, vasos, osteófitos, altura discal e características da estenose. Quando a janela anterior ao psoas é estreita ou inexistente, insistir na abordagem elimina sua principal vantagem. Em doença degenerativa com perda de altura e estenose foraminal, um espaçador amplo pode restaurar dimensões do segmento e produzir descompressão indireta. O mesmo princípio é útil em escoliose degenerativa e listese lateral, permitindo correção simultânea em dois planos. Em revisão, evitar a cicatriz posterior pode reduzir a necessidade de manipular dura e raízes previamente operadas. Contudo, cirurgia abdominal ou retroperitoneal anterior também pode alterar o corredor e deve ser considerada. A proteção das placas terminais é indispensável. A obtenção de altura ou correção não justifica preparo agressivo capaz de causar subsidência. Instrumentação posterior deve ser individualizada segundo estabilidade, qualidade óssea e objetivos biomecânicos.