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CONTROLE DO SANGRAMENTO INTRAOPERATÓRIO

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Resumo Clínico do Capítulo

Síntese acadêmica, metodologia diagnóstica e recomendações cirúrgicas
Contexto Clínico

O sangramento intraoperatório constitui uma das complicações relevantes da cirurgia da coluna, particularmente em procedimentos extensos, deformidades, revisões e construções multissegmentares. Suas consequências não se restringem à necessidade transfusional: hematomas podem comprometer estruturas neurais, a perda sanguínea dificulta a visibilidade do campo e transfusões expõem o paciente a riscos adicionais. O problema também é heterogêneo e não pode ser avaliado apenas pelo volume perdido ou por um único valor laboratorial. História de sangramento, anemia, comorbidades, medicamentos, tipo de procedimento e condições fisiológicas durante a operação precisam ser considerados conjuntamente. O capítulo organiza o manejo desde a avaliação pré-operatória até a hemostasia local, testes convencionais e viscoelásticos, uso de hemocomponentes e agentes farmacológicos. O conceito de Patient Blood Management amplia essa abordagem ao integrar prevenção da anemia, redução da perda sanguínea e utilização racional de transfusões.

Objetivo do Capítulo

Compreender os fatores que aumentam o risco hemorrágico, reconhecer as limitações dos exames laboratoriais e conhecer as principais estratégias de prevenção e controle do sangramento. O capítulo procura integrar avaliação clínica, técnica cirúrgica e anestésica, monitorização da coagulação, transfusão e agentes hemostáticos dentro de uma abordagem multidisciplinar.

O risco começa antes da cirurgia

A história clínica dirigida é central. Anemia, doença renal ou hepática, neoplasias, alterações hematológicas e uso de medicamentos que interferem na coagulação podem modificar o risco. Exames laboratoriais devem ser solicitados de acordo com esse contexto e com a magnitude esperada do procedimento. Testes convencionais apresentam limitações e não reproduzem integralmente o processo hemostático. Métodos viscoelásticos podem acrescentar informação dinâmica em cirurgias de maior complexidade e auxiliar a reposição direcionada.

Hemostasia é sistêmica e local

Plexos venosos epidurais representam fonte importante de sangramento. Posição adequada, manutenção do abdome livre na posição prona, técnica cuidadosa de dissecção e controle progressivo do sangramento são fundamentais. Hipotermia, acidose e distúrbios metabólicos podem agravar coagulopatia mesmo quando o campo cirúrgico parece controlado.

Transfusão orientada pelo contexto

A indicação de hemocomponentes não deve ser reduzida a um valor laboratorial isolado. Perfusão, sangramento ativo, fisiologia e resultados dos testes de coagulação precisam ser considerados. Plasma, plaquetas, crioprecipitado ou concentrados específicos têm indicações diferentes e não devem ser usados como expansores ou estratégias inespecíficas.

Farmacologia e agentes locais

O capítulo discute hemostáticos tópicos, concentrado de fibrinogênio e antifibrinolíticos. O uso profilático de fibrinogênio em pacientes sem deficiência estabelecida permanece apresentado como estratégia experimental diante das evidências disponíveis. Em contraste, o ácido tranexâmico conta com evidências mais consistentes para redução do sangramento em diferentes contextos de cirurgia da coluna.

Patient Blood Management

O Patient Blood Management (PBM) reúne três princípios: otimizar a condição hematológica antes da cirurgia, reduzir a perda sanguínea e utilizar transfusões de forma criteriosa. Essa estrutura depende da integração entre cirurgia, anestesia, hematologia e hemoterapia.

Aplicação Clínica & Diretrizes

Em uma cirurgia de maior risco hemorrágico, o controle do sangramento não deve começar quando o campo se torna difícil. Ele começa pela identificação da anemia, revisão cuidadosa das medicações e conhecimento das comorbidades. Durante o procedimento, perda sanguínea difusa pode refletir não apenas um vaso não controlado, mas alterações sistêmicas da coagulação ou condições fisiológicas desfavoráveis. Nesses cenários, a interpretação integrada entre campo operatório, anestesia e testes laboratoriais é superior a decisões baseadas em um único parâmetro. Ferramentas viscoelásticas podem ser particularmente úteis quando existe sangramento importante e é necessário identificar rapidamente qual componente da hemostasia está comprometido. Da mesma forma, a decisão transfusional deve considerar perfusão e situação clínica. O capítulo não apoia transfusão ou reposição de fatores de forma meramente profilática e reforça que agentes tópicos ou farmacológicos não compensam técnica cirúrgica inadequada.

Descritores Científicos DeCS / MeSH

Coluna VertebralTécnicas CirúrgicasDiagnóstico por ImagemBiomecânica EspinhalSegurança PerioperatóriaQualidade de Vida

Por que este capítulo importa

Perda sanguínea significativa pode comprometer simultaneamente visibilidade, estabilidade fisiológica e segurança neurológica. Reduzi-la não significa simplesmente transfundir mais cedo ou adicionar hemostáticos ao campo. O capítulo mostra que prevenção e resposta efetiva dependem de reconhecer o risco antes da operação e tratar a causa predominante do sangramento. Essa abordagem diminui intervenções empíricas e aproxima o manejo do conceito de Patient Blood Management.

O controle do sangramento em cirurgia da coluna é um processo contínuo que começa no planejamento e envolve biologia, técnica e fisiologia. História clínica, correção de fatores modificáveis, posicionamento, hemostasia cirúrgica, monitorização da coagulação e uso criterioso de antifibrinolíticos e hemocomponentes devem funcionar como partes de uma única estratégia.
Card 1 — Hemostasia começa no planejamento

Anemia, comorbidades e medicamentos que interferem na coagulação modificam o risco antes da primeira incisão. Uma história dirigida frequentemente oferece informação mais relevante do que a solicitação indiscriminada de exames laboratoriais em pacientes sem indicação clínica.

Card 2 — Transfundir exige contexto

Valores de hemoglobina e testes de coagulação ajudam na decisão, mas não substituem a avaliação de sangramento ativo, perfusão e estabilidade fisiológica. Hemocomponentes diferentes tratam problemas diferentes e não devem ser utilizados como resposta genérica a qualquer sangramento.

Card 3 — Fármaco não corrige técnica

Antifibrinolíticos e hemostáticos locais podem reduzir perda sanguínea em situações apropriadas. Entretanto, posição inadequada, congestão venosa, dissecção traumática ou falha de hemostasia não são resolvidas simplesmente acrescentando agentes farmacológicos.

Referências Bibliográficas Selecionadas

Literatura de alto impacto indexada no PubMed / DOI
31 Referências
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Episódio 1 – Capítulo 8: Coluna Vertebral no Plano Sagital

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