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Seção 11.Capítulo 07 de 109

Anatomia Cirúrgica e Vias de Acesso da Coluna Lombar e Lombossacra

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Capa 3D Tratado de Coluna

Resumo Clínico do Capítulo

Síntese acadêmica, metodologia diagnóstica e recomendações cirúrgicas
Contexto Clínico

Os acessos à coluna lombar e lombossacra devem conciliar exposição adequada, preservação das estruturas neurovasculares e restauração da estabilidade e do alinhamento. A escolha entre vias anterior, anterolateral e posterior varia conforme a doença, o nível vertebral e o objetivo terapêutico, que pode incluir artrodese intersomática, descompressão, correção de deformidade ou tratamento de infecções e tumores. Os segmentos L4–L5 e L5–S1 recebem atenção especial por sua relevância na degeneração discal e no equilíbrio sagital. Nas abordagens anteriores e laterais, o corredor atravessa a parede abdominal e o retroperitônio, onde ureter, plexo lombar, cadeia simpática, plexos hipogástricos, grandes vasos e tributárias venosas podem estar diretamente expostos. As técnicas minimamente invasivas reduzem a agressão da parede e da musculatura, mas deslocam o risco para corredores anatômicos estreitos. Por isso, o capítulo enfatiza planejamento por imagem, dissecção por planos e seleção individualizada da trajetória.

Objetivo do Capítulo

Apresentar a anatomia cirúrgica da parede abdominal, do retroperitônio e das estruturas neurovasculares relacionadas aos acessos lombares e lombossacrais. O leitor deverá compreender as diferenças entre as vias anterior, posterior, transpsoas e anterior ao psoas, reconhecer seus limites por nível, planejar o corredor com exames de imagem e identificar medidas de prevenção das principais complicações vasculares, neurais, autonômicas, ureterais e da parede abdominal.

Parede abdominal e corredor retroperitoneal

A parede anterolateral é formada por pele, fáscias de Camper e Scarpa, músculos oblíquo externo, oblíquo interno, transverso do abdome e reto abdominal, suas aponeuroses, fáscia transversalis e peritônio. Incisões paralelas às linhas de Langer e divulsão no sentido das fibras procuram reduzir cicatriz, dor, denervação e hérnia. Os vasos epigástricos inferiores e os nervos subcostal, ilio-hipogástrico e ilioinguinal devem ser preservados. A Figura 7 do capítulo relaciona esses nervos aos níveis de entrada pela parede lateral. O retroperitônio situa-se entre o peritônio parietal e a fáscia transversalis. Após dissecção romba, o saco peritoneal e o ureter são mobilizados medialmente, e o psoas torna-se o principal marco para alcançar a coluna. O ureter acompanha o peritônio; sua dissecção excessiva pode comprometer a vascularização.

Estruturas neurovasculares críticas

A aorta localiza-se à esquerda da linha média e a veia cava inferior, à direita, com variações individuais. Em L4–L5, a veia iliolombar pode limitar a mobilização da veia ilíaca comum; a veia lombar ascendente e os vasos segmentares também podem causar hemorragia de difícil controle. O nervo genitofemoral atravessa o psoas e pode ser lesado tanto no corredor transpsoas quanto no pré-psoas. Cadeia simpática e plexos hipogástricos devem ser mobilizados delicadamente, evitando eletrocoagulação próxima ao promontório e à face anterolateral dos corpos vertebrais.

Escolha entre as vias

A Tabela 1 compara os acessos anterior transperitoneal e retroperitoneal, anterolateral minimamente invasivo, lombotomia, via posterior mediana, via paramediana de Wiltse e técnicas percutâneas. A via posterior oferece acesso direto aos elementos posteriores para laminectomia, discectomia, artrodese intersomática lombar posterior — posterior lumbar interbody fusion (PLIF) —, artrodese intersomática lombar transforaminal — transforaminal lumbar interbody fusion (TLIF) — e fixação pedicular, com maior agressão muscular nas exposições convencionais. O acesso anterior oferece exposição direta dos discos, sobretudo em L5–S1, e o retroperitoneal evita a abertura planejada da cavidade peritoneal.

Acessos anterior e anterolateral

No acesso retroperitoneal anterior, o capítulo prefere o lado esquerdo para L2–L5 e descreve a exposição de L5–S1 abaixo da bifurcação aórtica. Após mobilização dos vasos e proteção do plexo hipogástrico, realiza-se anulotomia, discectomia ampla e preparo das placas terminais. Os autores aconselham a liberação ou abertura do ligamento longitudinal posterior para facilitar a correção e a restauração da altura discal. Os acessos laterais utilizam corredor transpsoas ou anterior ao psoas. As Figuras 22 e 23 contrastam esses trajetos: o psoas protege os grandes vasos no transpsoas, mas contém o plexo lombar; no pré-psoas, protege relativamente o plexo, enquanto vasos, ureter e cadeia simpática ficam mais expostos. O transpsoas requer monitorização neurofisiológica intraoperatória. Em L1–L2, o diafragma e os vasos renais podem limitar a exposição; em L4–L5, aumentam os desafios neurais e venosos; L5–S1 exige um corredor anterior específico, descrito como artrodese intersomática lombar anterior minimamente invasiva — minimally invasive anterior lumbar interbody fusion (MIS-ALIF). Em todas as técnicas, a posição do espaçador intersomático, ou cage, a preservação das placas terminais, o tempo de afastamento e a hemostasia condicionam a segurança e a estabilidade.

Aplicação Clínica & Diretrizes

Na prática, o planejamento deve começar pelos níveis e pelo objetivo do procedimento. O capítulo situa L1–L5 como campo das abordagens laterais e destaca L5–S1 para o acesso anterior retroperitoneal ou para a variante minimamente invasiva anterior. A ressonância magnética nos planos axial e sagital e as radiografias anteroposterior e lateral devem ser utilizadas para avaliar o corredor vascular, a posição e o volume do psoas, a crista ilíaca, as costelas inferiores, a deformidade e alterações relacionadas a operações abdominais prévias. A escolha entre transpsoas e anterior ao psoas representa uma troca de riscos. No transpsoas, os grandes vasos permanecem protegidos pela massa muscular, mas o plexo lombar e o nervo genitofemoral ficam mais vulneráveis; por isso, o capítulo indica monitorização neurofisiológica e limita o tempo de afastamento. No pré-psoas, o plexo está relativamente protegido, porém ureter, cadeia simpática, vasos segmentares e veias iliolombar e lombar ascendente exigem identificação e controle. Em L4–L5, a mobilização da veia ilíaca pode requerer controle da veia iliolombar. Em L5–S1, devem ser preservados o plexo hipogástrico e as estruturas pré-sacrais, evitando eletrocoagulação próxima ao promontório. Independentemente da via, a discectomia deve preservar o córtex das placas terminais, a linha média deve ser confirmada por fluoroscopia e a retração muscular ou vascular deve durar apenas o necessário. A via posterior continua relevante quando o alvo predominante é neural ou posterior.

Descritores Científicos DeCS / MeSH

Vértebras LombaresLumbar VertebraeRegião LombossacralLumbosacral RegionEspaço RetroperitonealRetroperitoneal SpaceMúsculos PsoasPsoas MusclesPlexo LombossacralLumbosacral PlexusFusão VertebralSpinal FusionProcedimentos Cirúrgicos Minimamente InvasivosMinimally Invasive Surgical ProceduresComplicações IntraoperatóriasIntraoperative Complications

Por que este capítulo importa

A abordagem define quais estruturas serão protegidas e quais ficarão diretamente expostas. O transpsoas reduz o contato com os grandes vasos, mas atravessa o território do plexo lombar; o corredor anterior ao psoas diminui a agressão neural direta, porém aumenta a proximidade com ureter, cadeia simpática e vasos. Em L4–L5 e L5–S1, pequenas diferenças anatômicas podem alterar completamente a segurança da exposição. O capítulo transforma esse mapa anatômico em decisões práticas de posicionamento, incisão, dissecção, retração e implantação do espaçador intersomático.

A segurança dos acessos lombares e lombossacrais depende da escolha de um corredor compatível com o nível, o alvo e a anatomia individual. Parede abdominal, psoas, ureter, plexos neurais e autonômicos e vasos retroperitoneais formam limites que mudam entre L1 e S1. O planejamento por imagem, a dissecção por planos, o controle vascular e a redução do tempo de retração são tão importantes quanto a técnica de artrodese propriamente dita.
Card 1 — Conceito essencial

O corredor é anatômico

A entrada segura no retroperitônio ocorre entre a fáscia transversalis e o peritônio parietal. A mobilização medial do saco peritoneal e do ureter expõe o psoas, principal referência para os corredores laterais. Perder esse plano aumenta o risco de lesão peritoneal, visceral ou neural.

Card 2 — Decisão clínica

Transpsoas ou anterior ao psoas?

No transpsoas, a massa muscular funciona como barreira aos grandes vasos, mas contém o plexo lombar. No acesso anterior ao psoas, o plexo fica relativamente protegido, enquanto vasos, ureter e cadeia simpática tornam-se mais vulneráveis. A imagem pré-operatória deve orientar essa escolha.

Card 3 — Pérola ou alerta

Veias pequenas, sangramento importante

A veia iliolombar e a veia lombar ascendente podem limitar a exposição de L4–L5 e causar hemorragia de difícil controle. Sua identificação precoce, eventual ligadura planejada e mobilização cuidadosa da veia ilíaca são preferíveis à tração excessiva e à ruptura com retração do coto sob o psoas.

Referências Bibliográficas Selecionadas

Literatura de alto impacto indexada no PubMed / DOI
12 Referências
1.Rathbone J, Rackham M, Nielsen D, Lee SM, Hing W, Riar S, Scott-Young M. A systematic review of anterior lumbar interbody fusion (ALIF) versus posterior lumbar interbody fusion (PLIF), transforaminal lumbar interbody fusion (TLIF), posterolateral lumbar fusion (PLF). Eur Spine J. 2023 Jun;32(6):1911-1926. doi:10.1007/s00586-023-07567-x. Epub 2023 Apr 18. PMID:37071155.
2.Palacios P, Palacios I, Palacios A, Gutiérrez JC, Mariscal G, Lorente A. Efficacy and safety of the extreme lateral interbody fusion (XLIF) technique in spine surgery: meta-analysis of 1409 patients. J Clin Med. 2024 Feb 7;13(4):960. doi:10.3390/jcm13040960. PMID:38398273; PMCID:PMC10889658.
3.Feng DP, Liu MQ, Zhang W, Wang JQ, Li ZW. Anterior column realignment via a minimally invasive hybrid approach in adult spinal deformity surgery: a short-term retrospective study. BMC Musculoskelet Disord. 2023 Dec 19;24(1):979. doi:10.1186/s12891-023-07106-1. PMID:38114995; PMCID:PMC10729504.
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Episódio 1 – Capítulo 8: Coluna Vertebral no Plano Sagital

Aprofunde-se no debate científico com os autores do capítulo discutindo casos práticos e condutas cirúrgicas.