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Seção 8Tratado de Cirurgia da Coluna VertebralCapítulo 79 de 109

Fixação do Ilíaco - Técnica S2 Alar Ilíaco

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Capa 3D Tratado de Coluna

Resumo Clínico do Capítulo

Síntese acadêmica, metodologia diagnóstica e recomendações cirúrgicas
Contexto Clínico

A fixação espinopélvica evoluiu substancialmente para atender às demandas biomecânicas da junção lombossacra, sobretudo em correções de deformidades complexas ou artrodeses estendidas até a pelve. Técnicas históricas, a exemplo de Galveston e dos parafusos ilíacos convencionais, representaram avanços relevantes, porém impuseram limitações clínicas significativas. Entre os principais desafios dessas abordagens tradicionais destacam-se a excessiva proeminência dos implantes, a dor local, a necessidade de conectores laterais (offset) e a maior dissecção muscular, fatores que elevam a morbidade do procedimento e a taxa de reoperações. Nesse cenário, a técnica de fixação pélvica via parafusos S2-alar-ilíacos (S2AI) emergiu para superar essas desvantagens. Ao partir da face dorsal do sacro, próximo ao forame de S2, e atravessar a asa ilíaca em direção ao osso cortical denso, a técnica S2AI proporciona ancoragem biomecânica superior, reduz a saliência dos implantes, alinha-se diretamente com os parafusos de S1 e diminui os riscos de deiscência ou infecção.

Objetivo do Capítulo

Este capítulo visa capacitar o leitor a identificar as indicações precisas da fixação pélvica por parafusos S2-alar-ilíacos (S2AI) em fusões espinopélvicas e a dominar os passos da técnica cirúrgica e da trajetória do implante. Adicionalmente, busca promover a análise crítica dos desfechos clínicos e biomecânicos frente a outras abordagens, bem como habilitar o cirurgião a reconhecer complicações potenciais e aplicar estratégias preventivas e de manejo adequadas.

Visão Geral e Fundamentos

Indicações e Planejamento Pré-Operatório A fixação com parafusos S2-alar-ilíacos (S2AI) é indicada em artrodeses espinopélvicas de longa extensão que exigem controle rotacional pélvico e estabilização da transição lombossacra. Destacam-se casos de escoliose neuromuscular ou sindrômica, deformidades associadas à paralisia cerebral, pseudartrose prévia em L5-S1, instabilidade sacroilíaca e cirurgias de revisão com falha na fixação distal. Em pacientes pediátricos, a técnica corrige a obliquidade pélvica com sustentação prolongada. Alterações anatômicas graves da pelve requerem cautela no planejamento. O planejamento exige tomografia computadorizada com reconstrução tridimensional para avaliar a qualidade óssea e mapear trajetórias. Preferem-se parafusos sólidos ou canulados com diâmetro maior ou igual a 8 mm e comprimento entre 80 e 100 mm para assegurar ancoragem mecânica. Parafusos duplos S2AI por lado e sistemas multibarras podem ser associados em casos complexos. Passos Técnicos e Trajetória Cirúrgica Com o paciente em decúbito ventral, realiza-se incisão mediana longitudinal e dissecção até a margem lateral do sacro, identificando os forames de S1 e S2 como referências anatômicas. O ponto de inserção situa-se entre os forames de S1 e S2, aproximadamente 1 cm distal e lateralmente à crista do forame de S1. A trajetória direciona-se caudalmente em cerca de 30 graus e lateralmente em 40 a 45 graus, rumo à espinha ilíaca anteroinferior, devendo o parafuso passar imediatamente acima da incisura isquiática. A confecção do canal é feita com pedicle finder e checada com sonda. A confirmação radioscópica utiliza a incidência obturatriz com outlet, buscando o correto posicionamento no interior da "gota de lágrima". O alinhamento dos parafusos lombares, S1 e S2AI permite conexão direta da haste sem necessidade de conectores offset. Resultados, Complicações e Inovações A técnica S2AI demonstra vantagens sobre a fixação ilíaca tradicional, apresentando menor proeminência (fica cerca de 20 mm mais profundo no tecido) e reduzindo taxas de pseudartrose, reoperação e dor glútea tardia. Biomecanicamente, confere maior rigidez ao constructo e diminui a sobrecarga no parafuso de S1. A principal complicação técnica é a perfuração da cortical anterior do ilíaco (até 4,8% sem imagem), com risco de lesões neurovasculares. O emprego de navegação por tomografia intraoperatória e robótica reduz o mau posicionamento dos implantes para taxas inferiores a 2% e diminui a exposição à radiação.

Aplicação Clínica & Diretrizes

Na prática clínica, os conceitos da fixação S2AI orientam a abordagem de pacientes com deformidades espinopélvicas complexas, como tetraparesia espástica por paralisia cerebral, permitindo reabilitar a capacidade de sentar e facilitar a higiene e cuidados diários ao corrigir a rotação e a obliquidade pélvica. Na etapa de planejamento, a avaliação tomográfica pré-operatória é indispensável para definir o diâmetro e o comprimento adequados dos parafusos, prevenindo falhas biomecânicas. Durante a execução cirúrgica, a precisão na determinação do ponto de entrada e das angulações caudal e lateral é crítica para evitar a perfuração da cortical anterior do ilíaco e consequentes lesões vasculares ou neurológicas. O cirurgião deve utilizar a incidência fluoroscópica obturatriz com outlet para confirmar a trajetória intraóssea na imagem da gota de lágrima. O correto alinhamento relativo aos parafusos de S1 elimina a necessidade de conectores offset, reduzindo a proeminência do implante e prevenindo complicações de partes moles. Em cenários de osteoporose ou cirurgias de revisão, o uso de parafusos S2AI duplos e construções multibarras deve ser considerado para minimizar o risco de pseudartrose ou soltura.

Descritores Científicos DeCS / MeSH

Coluna VertebralTécnicas CirúrgicasDiagnóstico por ImagemBiomecânica EspinhalSegurança PerioperatóriaQualidade de Vida

Por que este capítulo importa

A fixação na transição lombossacra é uma das etapas mais críticas na cirurgia de deformidades da coluna. Este capítulo é fundamental por detalhar a técnica S2AI, uma solução que reduz diretamente taxas de pseudartrose, dor glútea e deiscência de ferida associadas aos parafusos ilíacos clássicos. O domínio da anatomia radiológica, dos pontos de referência intraoperatórios e do uso de tecnologias como robótica e navegação capacita o cirurgião a maximizar a estabilidade do constructo pélvico e a prevenir lesões neurovasculares graves, garantindo desfechos clínicos mais seguros em casos altamente complexos.

A fixação pélvica pela técnica S2-alar-ilíaca (S2AI) representa um avanço biomecânico em relação aos parafusos ilíacos tradicionais por oferecer maior rigidez, dispensar conectores offset e apresentar menor proeminência de partes moles. Indicada em artrodeses longas, deformidades complexas e revisões lombossacras, a técnica exige rigor no planejamento tomográfico e na execução da trajetória para evitar perfurações corticais e garantir o correto alinhamento dos implantes.
Card 1 — Conceito essencial Ancoragem profunda e alinhamento direto A técnica S2AI insere o parafuso a partir do sacro dorsal (entre os forames de S1 e S2) até a cortical densa do ilíaco. Essa trajetória alinha o implante diretamente aos parafusos de S1, dispensando conectores offset e proporcionando um perfil mais profundo, o que minimiza a proeminência do material e reduz complicações na cobertura de partes moles.

Card 2 — Decisão clínica Trajetória precisa e checagem radioscópica O ponto de inserção localiza-se 1 cm distal e lateral à crista do forame de S1, com orientação 30° caudal e 40-45° lateral em direção à espinha ilíaca anteroinferior. A confirmação por fluoroscopia na incidência obturatriz com outlet (visão na "gota de lágrima") é essencial para assegurar a passagem intraóssea acima da incisura isquiática.

Card 3 — Pérola ou alerta Prevenção de perfuração cortical anterior A angulação incorreta ou o comprimento excessivo do parafuso podem ocasionar a perfuração da cortical anterior do ilíaco, ocorrendo em até 4,8% dos procedimentos sem navegação. Essa violação traz risco severo de lesões neurovasculares. O uso de tomografia prévia, palpação com sonda e navegação/robótica reduz essa falha a níveis inferiores a 2%.

Referências Bibliográficas Selecionadas

Literatura de alto impacto indexada no PubMed / DOI
17 Referências
1.Jain A, Hassanzadeh H, Strike SA, Menga EN, Sponseller PD, Kebaish KM. Pelvic fixation in adult and pediatric spine surgery: historical perspective, indications, and techniques. J Bone Joint Surg Am. 2015; 97(18):1521-8.
2.Chang TL, Sponseller PD, Kebaish KM, Fishman EK. Low Profile Pelvic Fixation: Anatomic Parameters for Sacral Alar-Iliac Fixation Versus Traditional Iliac Fixation. Spine (Phila Pa 1976). 2009; 34(5):436-40.
3.Von Glinski A, Yilmaz E, Ishak B, Hayman E, Ramey W, Jack A, et al. The modified iliac screw: an anatomic comparison and technical guide. World Neurosurg. 2020; 136:e608-13.
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Episódio 1 – Capítulo 8: Coluna Vertebral no Plano Sagital

Aprofunde-se no debate científico com os autores do capítulo discutindo casos práticos e condutas cirúrgicas.