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Seção 2DiagnósticoCapítulo 13 de 109

Neurofisiologia no Diagnóstico das Patologias da Coluna

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Capa 3D Tratado de Coluna

Resumo Clínico do Capítulo

Síntese acadêmica, metodologia diagnóstica e recomendações cirúrgicas
Contexto Clínico

A neurofisiologia clínica complementa a anamnese, o exame neurológico e os exames de imagem ao demonstrar o funcionamento do sistema nervoso central e periférico. Nas patologias da coluna, seu principal papel ambulatorial está na investigação de radiculopatias, na estimativa da gravidade e da temporalidade da lesão e na diferenciação de neuropatias, plexopatias e doenças do neurônio motor. A eletroneuromiografia reúne estudos de condução nervosa e eletromiografia com agulha, modalidades complementares cujos resultados dependem da hipótese clínica, da seleção dos nervos e músculos e do momento em que o exame é realizado. O potencial de ação sensitivo tende a permanecer normal nas lesões radiculares pré-ganglionares, enquanto a eletromiografia identifica sinais de desnervação e reinervação. Entretanto, exames normais não excluem radiculopatia recente, puramente desmielinizante ou exclusivamente sensitiva. Os potenciais somatossensoriais evocados têm aplicação limitada nas radiculopatias, mas podem acrescentar informação em mielopatias sintomáticas. A interpretação final exige correlação clínica e radiológica.

Objetivo do Capítulo

Apresentar os principais testes neurofisiológicos ambulatoriais empregados nas doenças da coluna e esclarecer o que cada método pode demonstrar e quais são suas limitações. Ao final, o leitor deverá compreender a composição da eletroneuromiografia, interpretar padrões pré e pós-ganglionares, reconhecer a contribuição temporal da eletromiografia com agulha, avaliar o papel dos potenciais evocados e utilizar o exame na diferenciação entre radiculopatias, neuropatias, plexopatias, mielopatias e doenças do neurônio motor.

Eletroneuromiografia orientada pela hipótese clínica

A eletroneuromiografia resulta da associação entre estudos de condução nervosa e eletromiografia com agulha. O capítulo a define como extensão do exame físico e ressalta que o encaminhamento deve conter dados clínicos e suspeita diagnóstica, complementados por breve anamnese e exame neurológico pelo neurofisiologista. O protocolo é dinâmico: os nervos e músculos selecionados variam conforme a hipótese, e os estudos de condução devem ser realizados bilateralmente para comparação.

Condução nervosa e localização da lesão

A condução motora avalia o potencial de ação muscular composto, a amplitude, a sincronia e a velocidade das fibras mais rápidas. Nas radiculopatias, pode permanecer normal ou pouco alterada, pois a lesão é proximal e a maior parte dos músculos recebe contribuição de mais de um miótomo. Ondas F e reflexo H acrescentam informação sobre segmentos proximais, mas possuem limitações. A condução sensitiva é decisiva no diagnóstico diferencial. Como a compressão radicular degenerativa costuma ocorrer proximalmente ao gânglio da raiz dorsal, o potencial de ação sensitivo (PAS) geralmente permanece normal. O esquema da Figura 3 contrapõe essa situação pré-ganglionar às lesões pós-ganglionares, nas quais ocorre degeneração distal e alteração do PAS. O capítulo descreve como exceções a radiculopatia de L5 em determinadas posições do gânglio e as hérnias extraforaminais.

Eletromiografia com agulha e temporalidade

A eletromiografia com agulha é o componente mais informativo para demonstrar comprometimento radicular com envolvimento axonal. O capítulo sugere avaliar pelo menos seis músculos, incluindo paravertebrais e músculos do mesmo miótomo inervados por nervos periféricos diferentes. Fibrilações e ondas agudas positivas indicam instabilidade de membrana em fibras desnervadas; durante a contração, morfologia, duração, amplitude, fases e recrutamento dos potenciais de ação de unidades motoras ajudam a classificar gravidade e curso como agudo, subagudo, crônico ou crônico agudizado. A Tabela 3 organiza essas alterações ao longo do tempo. Lesões muito recentes, puramente desmielinizantes ou restritas à raiz sensitiva podem produzir exame normal.

Situações específicas e potenciais evocados

A eletroneuromiografia localiza o miótomo, não necessariamente o nível discal responsável; a distribuição das raízes na cauda equina e as variações anatômicas explicam possíveis discrepâncias com a imagem. Na estenose cervical, o exame não avalia diretamente o neurônio motor superior, mas pode demonstrar comprometimento segmentar do neurônio motor inferior ou radiculopatia associada. Na estenose lombar, pode ser normal inicialmente e tornar-se multirradicular bilateral com a evolução. A avaliação torácica é possível, porém a inervação multissegmentar reduz a precisão e a agulha em músculos intercostais exige cautela pelo risco de pneumotórax.Os potenciais somatossensoriais evocados (PESS) têm utilidade limitada nas radiculopatias e maior aplicação potencial em mielopatias sintomáticas com comprometimento das colunas posteriores. Para casos de dissociação clínico-radiológica na mielopatia cervical, o capítulo apresenta como proposta dos autores a Avaliação Neurofisiológica Multimodal Dinâmica Cervical (ANMDC), combinando PESS e potencial evocado motor por estimulação elétrica transcraniana em repouso, flexão, extensão e tração dos ombros. O texto não apresenta dados de validação do protocolo, que deve ser distinguido de uma recomendação estabelecida.

Aplicação Clínica & Diretrizes

Na prática, a eletroneuromiografia é particularmente útil quando dor irradiada, fraqueza ou alteração sensitiva podem decorrer de mais de um nível ou de doenças diferentes. Na suspeita de radiculopatia, o estudo deve ser bilateral e incluir condução nervosa e amostragem adequada por agulha. PAS preservado favorece uma lesão pré-ganglionar; PAS alterado deve levar à investigação de plexopatia, neuropatia compressiva, polineuropatia ou outra lesão pós-ganglionar, reconhecendo as exceções descritas para L5 e hérnias extraforaminais. O momento do exame modifica sua sensibilidade. Um resultado normal muito cedo, em lesão desmielinizante sem degeneração walleriana ou em comprometimento exclusivamente sensitivo não afasta radiculopatia. Além disso, o laudo deve ser correlacionado à imagem, pois o exame localiza o miótomo e não determina isoladamente o disco ou forame responsável. Essa integração é decisiva em cenários como síndrome do túnel do carpo versus radiculopatia cervical, plexopatia braquial, possível síndrome do duplo esmagamento, mielopatia cervical versus doença do neurônio motor, amiotrofia diabética e pé caído por L5 versus neuropatia fibular na cabeça da fíbula. Na radiculopatia torácica, a seleção muscular e o risco de pneumotórax limitam o estudo. PESS deve ser reservado às perguntas que envolvem vias somatossensoriais centrais; a ANMDC, apresentada pelos autores, deve permanecer identificada como proposta ainda não validada no próprio capítulo.

Descritores Científicos DeCS / MeSH

EletrodiagnósticoElectrodiagnosisEletromiografiaElectromyographyEstudos de Condução NervosaNerve Conduction StudiesRadiculopatiaRadiculopathyPotenciais Somatossensoriais EvocadosEvoked Potentials, SomatosensoryPotencial Evocado MotorEvoked Potentials, MotorDiagnóstico DiferencialDiagnosis, DifferentialDoenças do Sistema Nervoso PeriféricoPeripheral Nervous System Diseases

Por que este capítulo importa

Exames de imagem demonstram compressão e degeneração, mas não informam sozinhos se a alteração é funcionalmente relevante, ativa ou responsável pelos sintomas. Este capítulo mostra como condução nervosa, eletromiografia com agulha e potenciais evocados respondem perguntas diferentes. A distinção entre lesão pré-ganglionar e pós-ganglionar, o reconhecimento do tempo necessário para surgirem sinais de desnervação e a investigação de diagnósticos coexistentes podem modificar a interpretação de uma dor irradiada e evitar que uma neuropatia periférica, plexopatia ou doença do neurônio motor seja tratada como radiculopatia.

A neurofisiologia acrescenta uma dimensão funcional à avaliação das doenças da coluna. A eletroneuromiografia pode localizar o miótomo comprometido, graduar a lesão, estimar sua fase evolutiva e separar radiculopatias de neuropatias, plexopatias e doenças do neurônio motor. Seu valor, porém, depende de técnica adequada, amostragem suficiente, momento oportuno e correlação obrigatória com a clínica e a imagem; um exame normal não exclui todas as formas de radiculopatia.
Card 1 — Conceito essencial

Dois métodos, uma interpretação

A eletroneuromiografia combina condução nervosa e eletromiografia com agulha. A primeira caracteriza nervos periféricos, respostas tardias e reflexos; a segunda demonstra desnervação, reinervação e recrutamento muscular. O diagnóstico de radiculopatia depende da integração entre as duas modalidades, da hipótese clínica e da seleção apropriada dos músculos.

Card 2 — Decisão clínica

Leia o PAS primeiro

Na maioria das radiculopatias degenerativas, o PAS permanece normal porque a compressão é pré-ganglionar. Quando ele está alterado, amplie o exame e considere plexopatia, neuropatia compressiva ou outra lesão pós-ganglionar. L5 e hérnias extraforaminais constituem exceções importantes descritas no capítulo.

Card 3 — Pérola ou alerta

Exame normal não exclui

A ausência de alterações não exclui radiculopatia recente, puramente desmielinizante ou exclusivamente sensitiva. Amostrar poucos músculos, omitir paravertebrais ou escolher músculos do mesmo nervo periférico reduz a capacidade de localização. O rendimento do exame depende tanto do momento quanto da técnica e da experiência do examinador.

Referências Bibliográficas Selecionadas

Literatura de alto impacto indexada no PubMed / DOI
30 Referências
1.Preston DC, Shapiro BE. Electromyography and neuromuscular disorders: clinical-electrophysiologic-ultrasound correlations. 4th ed. Philadelphia: Elsevier; 2021.
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3.DePalma MJ, et al. What is the source of chronic low back pain and does age play a role? Pain Med. 2011 Feb;12(2):224-33. doi:10.1111/j.1526-4637.2010.01045.x.
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Episódio 1 – Capítulo 8: Coluna Vertebral no Plano Sagital

Aprofunde-se no debate científico com os autores do capítulo discutindo casos práticos e condutas cirúrgicas.