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LESÃO NEUROLÓGICA PERIOPERATÓRIA

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Resumo Clínico do Capítulo

Síntese acadêmica, metodologia diagnóstica e recomendações cirúrgicas
Contexto Clínico

A lesão neurológica perioperatória está entre as complicações mais temidas da cirurgia da coluna por seu potencial de causar perda motora, sensitiva ou autonômica permanente. Sua incidência é difícil de definir, em parte pela heterogeneidade das cirurgias e pela possível subnotificação de déficits transitórios ou lesões isoladas. Os mecanismos incluem trauma direto, compressão, estiramento, isquemia, hematomas, mal posicionamento de implantes e lesões por posicionamento. O capítulo dedica atenção especial à anatomia funcional da medula, vascularização e raízes nervosas porque a topografia da lesão determina a manifestação clínica. Também diferencia lesões medulares de lesões radiculares e revisa neuropraxia, axonotmese e neurotmese. O diagnóstico depende de vigilância intra e pós-operatória, monitorização neurofisiológica, exame neurológico repetido e imagem rápida quando surge um novo déficit.

Objetivo do Capítulo

Capacitar o leitor a identificar fatores de risco e mecanismos das lesões neurológicas perioperatórias, reconhecer precocemente déficits intra e pós-operatórios e organizar investigação e tratamento. O capítulo também aborda lesões relacionadas ao posicionamento, síndrome da medula branca, paralisia de C5, monitorização neurofisiológica e tecnologias voltadas à segurança neurológica.

Medula, raízes e vascularização

A distribuição dos tratos sensitivos e motores explica por que diferentes lesões produzem padrões clínicos específicos. Além do trauma direto, a perfusão medular é crítica: a vascularização segmentar cria áreas mais vulneráveis à isquemia. Raízes e plexos também estão expostos durante procedimentos e posicionamento, podendo sofrer compressão ou estiramento.

Gravidade e mecanismo

O capítulo diferencia lesões medulares de maior impacto das lesões radiculares frequentemente mais localizadas. Para nervos periféricos, a classificação em neuropraxia, axonotmese e neurotmese ajuda a estimar prognóstico e necessidade de intervenção. O déficit pode surgir imediatamente ou apenas horas ou dias depois, motivo pelo qual um exame normal ao término da cirurgia não elimina completamente o risco.

Diagnóstico

Monitorização neurofisiológica pode detectar alterações antes da manifestação clínica. Após a cirurgia, exame neurológico seriado é indispensável. A tomografia é especialmente útil para analisar posição dos implantes, fraturas e estruturas ósseas. A ressonância é central quando se suspeita de compressão, hematoma, edema, isquemia ou lesão medular. Estudos eletrofisiológicos complementam a investigação de lesões periféricas e auxiliam na localização e no prognóstico.

Situações especiais

A síndrome da medula branca é descrita como deterioração neurológica após descompressão sem causa compressiva evidente, associada a alteração intramedular em imagem. A paralisia de C5 é outra complicação característica da cirurgia cervical, geralmente envolvendo fraqueza do deltoide e bíceps.

Tratamento

Déficits leves e estáveis, sem compressão estrutural, podem ser manejados com suporte clínico, reabilitação e acompanhamento. Déficit progressivo ou causa compressiva identificável muda o cenário: hematoma, implante mal posicionado ou compressão residual podem exigir reintervenção urgente.

Aplicação Clínica & Diretrizes

Novo déficit neurológico após cirurgia deve ser considerado uma emergência diagnóstica até que uma causa reversível seja excluída. Atribuir inicialmente a fraqueza à anestesia, dor ou recuperação habitual pode atrasar a identificação de hematoma, implante mal posicionado ou isquemia. A primeira avaliação define padrão e topografia: medular ou radicular, central ou periférico, motor, sensitivo ou misto. A temporalidade e o procedimento realizado ajudam a priorizar hipóteses. O posicionamento também merece investigação. Os casos clínicos do capítulo demonstram que déficits de nervos periféricos podem resultar da compressão externa durante a cirurgia e serem potencialmente reversíveis quando reconhecidos. A prevenção depende de avaliação de risco, posicionamento cuidadoso, técnica refinada, monitorização quando indicada e estabilidade fisiológica durante todo o perioperatório.

Descritores Científicos DeCS / MeSH

Coluna VertebralTécnicas CirúrgicasDiagnóstico por ImagemBiomecânica EspinhalSegurança PerioperatóriaQualidade de Vida

Por que este capítulo importa

Poucas complicações alteram tão profundamente o resultado de uma cirurgia quanto um novo déficit neurológico. Minutos podem ser decisivos diante de um hematoma, compressão ou alteração de perfusão. O capítulo oferece uma estrutura anatômica e clínica para reconhecer esses eventos, sem esquecer lesões menos óbvias produzidas por posicionamento, isquemia ou mecanismos de reperfusão.

Lesões neurológicas perioperatórias exigem vigilância contínua porque podem surgir por mecanismos distintos e em momentos diferentes. A melhor oportunidade de preservar função está no reconhecimento rápido, localização da lesão e correção imediata de causas reversíveis, especialmente compressão, isquemia, posicionamento inadequado ou implantes mal posicionados.
Conceito essencial — Localize antes de tratarDéficit neurológico não é um diagnóstico único. Distinguir comprometimento medular, radicular ou periférico permite escolher exames, estimar prognóstico e identificar rapidamente causas potencialmente reversíveis.

Decisão clínica — Déficit novo exige imagemPiora neurológica súbita no pós-operatório deve motivar investigação imediata quando houver possibilidade de hematoma, compressão residual, migração ou posicionamento inadequado de implantes.

Pérola ou alerta — Posicionamento também lesiona nervosNem toda alteração neurofisiológica está relacionada ao sítio operado. Compressão de nervos periféricos ou plexos pela posição do paciente e dispositivos de fixação pode produzir déficits que mimetizam uma complicação cirúrgica central.

Referências Bibliográficas Selecionadas

Literatura de alto impacto indexada no PubMed / DOI
21 Referências
1.Kody KB, Dudley F, Kevin WR. Perioperative major neurologic deficits as a complication of spine surgery. Spinal Cord Ser Cases. 2021;7:81.
2.Han JK. Perioperative neurologic complications in adult spinal deformity surgery. Spine. 2022;42:420-7.
3.Standring S, ed. Gray’s anatomy: the anatomical basis of clinical practice. 42nd ed. New York: Elsevier; 2020.
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Episódio 1 – Capítulo 8: Coluna Vertebral no Plano Sagital

Aprofunde-se no debate científico com os autores do capítulo discutindo casos práticos e condutas cirúrgicas.