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Tratado de Cirurgia da Coluna Vertebral
SEÇÃO 4Deformidades da Coluna Vertebral
Capítulo35

Escoliose do Adulto

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Seção 4Deformidades da Coluna Vertebral
Cap. 35Capítulo Clínico
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Resumo do capítulo

Contexto: A escoliose do adulto (EA) reúne deformidades coronais da coluna no esqueleto maduro e pode resultar de degeneração progressiva de uma coluna previamente alinhada, da evolução de uma escoliose idiopática iniciada na juventude ou de causas secundárias. Com o envelhecimento populacional, sua relevância clínica aumenta, principalmente porque a deformidade pode associar-se a dor crônica, radiculopatia, claudicação neurogênica, perda do equilíbrio do tronco e importante limitação funcional. Na forma degenerativa, o processo geralmente se inicia pela deterioração assimétrica dos discos e das articulações facetárias, favorecendo rotação vertebral, laterolistese e estenose. Nas formas idiopáticas residuais, a degeneração do adulto modifica deformidades preexistentes e pode reduzir a lordose lombar. Mais do que a magnitude da curva coronal, o capítulo enfatiza a importância do equilíbrio sagital e da relação entre coluna e pelve para compreender sintomas, incapacidade e planejamento terapêutico.
Objetivo do capítulo: Apresentar os fundamentos para reconhecer, classificar e tratar a escoliose do adulto. O leitor deverá compreender as diferenças entre deformidade degenerativa, idiopática residual e secundária, correlacionar sintomas com alterações coronais, sagitais e neurológicas, realizar avaliação clínica e radiográfica global, utilizar as classificações de Aebi e SRS-Schwab e compreender os princípios que orientam tratamento conservador, indicação cirúrgica, realinhamento, descompressão e prevenção de complicações.
Duas trajetórias principais de deformidadeA escoliose degenerativa desenvolve-se em pacientes sem história prévia de escoliose significativa. A degeneração discal altera progressivamente altura e estabilidade segmentar, transferindo carga de maneira assimétrica às facetas e favorecendo rotação, translação vertebral e estenose foraminal. A escoliose idiopática do adulto, conforme a nomenclatura empregada no capítulo, representa a progressão de curvas iniciadas anteriormente. Nesses pacientes, a degeneração acrescenta alterações à deformidade já existente, particularmente na região lombar e no perfil sagital. A classificação etiológica de Aebi organiza essas diferentes origens em formas degenerativas primárias, idiopáticas de progressão tardia e secundárias.
Equilíbrio sagital e repercussão clínicaDor axial é a manifestação mais frequente, podendo relacionar-se à sobrecarga facetária e muscular. Radiculopatia e claudicação neurogênica decorrem principalmente da degeneração associada e da redução dos espaços disponíveis às estruturas neurais. O capítulo ressalta que a perda do equilíbrio sagital tende a ser menos bem tolerada que o desalinhamento coronal. O deslocamento anterior do tronco exige mecanismos compensatórios e aumenta a demanda energética para permanecer em ortostase e caminhar. A Figura 35.1 demonstra a avaliação clínica da deformidade e das compensações posturais.
Avaliação radiográfica globalRadiografias panorâmicas em ortostase são fundamentais e devem permitir análise da coluna e da pelve como uma unidade funcional. Além da deformidade coronal, são avaliadas as curvaturas regionais e o alinhamento sagital. A Figura 35.3 sintetiza os principais parâmetros espinopélvicos e sua interdependência. Incidência pélvica, versão pélvica, inclinação sacral, lordose lombar e posição global do tronco permitem compreender tanto a deformidade quanto os mecanismos de compensação. A classificação SRS-Schwab, apresentada na Figura 35.4, combina padrão coronal e modificadores sagitais e é destacada pelo capítulo por sua relação com incapacidade e planejamento terapêutico.
Tratamento conservadorA abordagem inicial pode incluir fisioterapia, fortalecimento, exercícios de baixo impacto, controle farmacológico da dor e intervenções analgésicas selecionadas. O benefício de órteses permanece menos definido nessa população. O objetivo do tratamento conservador é principalmente controlar sintomas e preservar função, reconhecendo que a evidência de longo prazo é limitada.
Tratamento cirúrgicoA indicação cirúrgica é individualizada e ganha relevância diante de dor incapacitante refratária, déficit neurológico, claudicação progressiva ou importante descompensação do alinhamento. Diferentemente da cirurgia da escoliose no adolescente, o objetivo no adulto é predominantemente funcional: descomprimir estruturas neurais quando necessário, reduzir a dor e restaurar um alinhamento espinopélvico compatível com o paciente. A extensão da reconstrução varia desde procedimentos limitados até artrodeses extensas associadas a osteotomias. As Figuras 35.5 e 35.6 apresentam classificações anatômicas de procedimentos de realinhamento, sem que uma técnica isolada seja aplicável a todas as deformidades.
Aplicação clínica: Na prática, a avaliação deve começar pela queixa que realmente limita o paciente. Dor axial, radiculopatia, claudicação, fadiga para permanecer em pé ou caminhar e perda funcional precisam ser correlacionadas com o padrão da deformidade e com eventuais mecanismos compensatórios. Em pacientes mais jovens, percepção da imagem corporal também pode ter importância distinta daquela observada em idosos. O exame clínico deve ser realizado em ortostase e incluir postura global, pelve, membros inferiores, marcha e exame neurológico. As radiografias panorâmicas precisam mostrar não apenas a curva escoliótica, mas o conjunto coluna-pelve. A classificação SRS-Schwab organiza essa leitura e auxilia a comunicar a gravidade da deformidade. O tratamento conservador constitui a abordagem inicial para muitos pacientes sintomáticos. A indicação de cirurgia depende da falha dessas medidas, da repercussão neurológica e funcional e da possibilidade de alcançar um benefício compatível com os riscos. Quando a reconstrução é considerada, idade, comorbidades, qualidade óssea, nutrição, tabagismo, rigidez da deformidade e cirurgias prévias influenciam diretamente o planejamento. Osteopenia ou osteoporose merecem atenção especial pela relação com ancoragem e complicações mecânicas. A correção também deve ser proporcional ao indivíduo. O capítulo enfatiza que metas de alinhamento não devem ser aplicadas sem considerar idade e contexto clínico, evitando tanto desalinhamento residual quanto uma reconstrução excessivamente agressiva.
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Palavras-chave

Descritores DeCS/MeSH preferenciais:
EscolioseScoliosisCurvaturas da Coluna VertebralSpinal CurvaturesAdultoAdultDor LombarLow Back PainEstenose EspinalSpinal StenosisFusão VertebralSpinal FusionOsteotomiaOsteotomyOsteoporoseOsteoporosis

Por que este capítulo importa

Na escoliose do adulto, duas radiografias com curvas coronais semelhantes podem representar pacientes completamente diferentes. Um pode permanecer compensado e funcional; outro pode apresentar perda de lordose, tronco projetado anteriormente, radiculopatia e incapacidade progressiva. O capítulo mostra por que a avaliação precisa ultrapassar o ângulo de Cobb e incorporar pelve, perfil sagital, neurologia e mecanismos compensatórios. Essa visão também é essencial para evitar dois extremos: uma cirurgia extensa em quem pode ser tratado conservadoramente ou uma intervenção insuficiente que descomprime uma raiz sem reconhecer o desequilíbrio global responsável pelos sintomas.

A escoliose do adulto é mais do que uma curva coronal em uma coluna envelhecida. Dor, compressão neural, degeneração, perda de lordose e desequilíbrio espinopélvico interagem para determinar incapacidade. O tratamento deve partir dos sintomas e da função, utilizar o alinhamento global para compreender a deformidade e equilibrar o benefício potencial da reconstrução com a morbidade de procedimentos frequentemente complexos. A correção radiográfica é um meio para melhorar função, e não um objetivo isolado.

Destaques do capítulo

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Card 1 — Conceito essencial
Sagital pesa mais que coronal

No adulto, a repercussão clínica não acompanha necessariamente o tamanho da curva escoliótica. A perda do alinhamento sagital e o esforço necessário para compensá-la podem estar mais relacionados à dor, fadiga e incapacidade. Por isso, a avaliação deve integrar coluna e pelve, e não se limitar à radiografia frontal.

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Card 2 — Decisão clínica
Trate sintomas e função

A indicação cirúrgica não nasce de uma medida isolada. Dor refratária, compressão neural, claudicação, perda funcional, progressão e desequilíbrio precisam ser ponderados com idade, comorbidades e risco operatório. A radiografia ajuda a explicar o problema; a repercussão clínica define sua importância para aquele paciente.

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Card 3 — Pérola ou alerta
Osso faz parte do planejamento

Osteopenia e osteoporose não são achados periféricos em uma reconstrução extensa. A qualidade óssea interfere na capacidade de fixação e no risco de complicações mecânicas. Avaliar e otimizar os fatores modificáveis antes da cirurgia faz parte da estratégia de prevenção de falhas, assim como nutrição adequada e cessação do tabagismo.

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Episódio 1 – Capítulo 8: Coluna Vertebral no Plano Sagital

Discussão com os autores sobre os conceitos fundamentais do equilíbrio sagital, parâmetros radiográficos e sua importância no planejamento cirúrgico e nos resultados clínicos.

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