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Tratado de Cirurgia da Coluna Vertebral
SEÇÃO 8Técnicas Cirúrgicas
Capítulo65

Endoscopia na Coluna Cervical pela Via Posterior

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Seção 8Técnicas Cirúrgicas
Cap. 65Capítulo Clínico
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Resumo do capítulo

Contexto: A endoscopia cervical posterior desenvolveu-se como alternativa às abordagens abertas e à discectomia cervical anterior com fusão em pacientes selecionados. Seu principal atrativo é realizar descompressão radicular ou, em situações específicas, do canal central preservando o movimento segmentar e reduzindo a agressão às partes moles. O acesso é particularmente aplicável a hérnias discais posterolaterais ou foraminais e à estenose foraminal sem instabilidade. Técnicas como a descompressão over-the-top ampliaram a possibilidade de descompressão bilateral por via unilateral, enquanto abordagens biportais aumentaram a liberdade instrumental. Entretanto, a proximidade da medula, raízes e artéria vertebral, somada ao campo cirúrgico restrito e à dependência de irrigação contínua, torna a técnica sensível a falhas de indicação e execução. Mielopatia grave, instabilidade, deformidades importantes e ossificações extensas permanecem cenários em que técnicas convencionais podem oferecer maior previsibilidade.
Objetivo do capítulo: Capacitar o leitor a distinguir quando a abordagem endoscópica posterior é apropriada, planejar a técnica segundo localização e extensão da compressão e compreender as diferenças entre estratégias uniportal, biportal e over-the-top. O capítulo também destaca critérios de segurança para preservação facetária, proteção neural e vascular, controle de irrigação e conversão para cirurgia aberta quando necessário.
Seleção da via cervicalA abordagem posterior é principalmente direcionada a compressões laterais e foraminais. Em estenoses centrais selecionadas, a descompressão over-the-top permite acessar o lado contralateral a partir de um corredor unilateral. Sistemas biportais acrescentam liberdade de instrumentação e podem facilitar procedimentos em níveis adjacentes. Casos de compressão medular difusa, mielopatia grave, ossificação extensa do ligamento longitudinal posterior, instabilidade ou deformidade significativa exigem cautela e podem favorecer técnicas convencionais.
PlanejamentoRM e TC de alta resolução são essenciais. A RM define disco, raiz, medula e ligamentos; a TC fornece detalhes de osteófitos, facetas e extensão da ressecção óssea planejada. O posicionamento, a escolha do endoscópio e a organização dos portais variam conforme uniportal ou biportal. A monitorização neurofisiológica pode ser utilizada especialmente quando há risco medular.
Foraminotomia e descompressãoA técnica uniportal utiliza referenciais ósseos posteriores para alcançar a junção laminofacetária, seguida de laminotomia e foraminotomia progressivas. O princípio é ampliar o corredor antes de manipular a raiz e evitar ressecção facetária capaz de gerar instabilidade. A descompressão termina quando a raiz está livre de compressão e apresenta mobilidade satisfatória. A artéria vertebral é um limite crítico lateral.
Técnicas ampliadasO over-the-top permite trabalhar sob a base do processo espinhoso e descomprimir o lado oposto. Na técnica biportal, ótica e instrumentos ocupam portais independentes, facilitando angulações e uso de instrumentos semelhantes aos da microcirurgia.
Resultados e complicaçõesO capítulo relata resultados comparáveis às técnicas convencionais para indicações adequadas, com benefícios perioperatórios e preservação de movimento. Os dois casos ilustrados nas Figuras 65.1 a 65.4 mostram uma radiculopatia foraminal e uma estenose central tratada por over-the-top. Complicações incluem lesão dural, déficit neurológico transitório, hematoma, recorrência, infecção e, raramente, lesão da artéria vertebral. Saber converter para cirurgia aberta diante de sangramento incontrolável ou lesão dural extensa é apresentado como parte do domínio da técnica.
Aplicação clínica: Para uma radiculopatia unilateral provocada por hérnia ou osteófito foraminal, a via posterior pode permitir descompressão preservando o segmento móvel, desde que não exista instabilidade ou deformidade incompatível. Já uma compressão central exige análise mais criteriosa da extensão, número de níveis e gravidade da mielopatia. A avaliação pré-operatória deve definir previamente quanto osso precisa ser removido para criar espaço suficiente sem comprometer a faceta. O planejamento também deve antecipar a posição da artéria vertebral, principalmente quando a ressecção se estende lateralmente. No intraoperatório, visibilidade deficiente não deve ser compensada por manipulação cega ou elevação excessiva da pressão de irrigação. O cirurgião deve recuperar os referenciais anatômicos, controlar o sangramento e ampliar o corredor quando necessário. O capítulo reforça ainda um princípio importante para a formação: os primeiros casos devem ser focais, anatomicamente favoráveis e sem fatores adicionais de risco. A expansão das indicações deve acompanhar a maturidade técnica.
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Palavras-chave

Descritores DeCS/MeSH preferenciais:
EndoscopiaEndoscopyVértebras CervicaisCervical VertebraeRadiculopatiaRadiculopathyEstenose EspinalSpinal StenosisDeslocamento do Disco IntervertebralIntervertebral Disc DisplacementProcedimentos Cirúrgicos Minimamente InvasivosMinimally Invasive Surgical ProceduresComplicações Pós-OperatóriasPostoperative Complications

Por que este capítulo importa

Preservar movimento sem sacrificar a qualidade da descompressão é um objetivo atraente na cirurgia cervical. A endoscopia posterior pode atingir esse equilíbrio em casos adequados, evitando algumas consequências inerentes à fusão. Contudo, a vantagem só existe quando a anatomia e a doença permitem um corredor seguro. Este capítulo ajuda a distinguir situações em que a mínima invasividade agrega valor daquelas em que campo restrito, instabilidade ou risco medular tornam a técnica inadequada.

A endoscopia cervical posterior oferece descompressão focal com preservação de movimento em pacientes cuidadosamente selecionados. Sua segurança depende de planejamento anatômico preciso, ressecção óssea suficiente mas não excessiva, mínima manipulação neural e respeito aos limites laterais impostos pela artéria vertebral. A técnica over-the-top e os sistemas biportais ampliam possibilidades, mas não eliminam a necessidade de reconhecer quando uma abordagem convencional é mais apropriada.

Destaques do capítulo

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Card 1 — Movimento pode ser preservado
A via posterior endoscópica permite tratar determinadas radiculopatias sem eliminar o movimento do segmento. Essa vantagem depende de estabilidade pré-operatória e de uma ressecção facetária cuidadosamente limitada.

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Card 2 — Localização decide a via
Compressões foraminais e posterolaterais favorecem a abordagem posterior. Compressões anteriores extensas, instabilidade, deformidade ou mielopatia grave podem exigir outra estratégia.

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Card 3 — Saiba quando converter
Conversão para cirurgia aberta não representa falha técnica. Sangramento que elimina a visibilidade, lesão dural extensa ou perda dos referenciais anatômicos são situações em que ampliar o acesso pode ser a decisão mais segura.

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Referências bibliográficas

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Episódio 1 – Capítulo 8: Coluna Vertebral no Plano Sagital

Discussão com os autores sobre os conceitos fundamentais do equilíbrio sagital, parâmetros radiográficos e sua importância no planejamento cirúrgico e nos resultados clínicos.

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