Resumo Clínico do Capítulo
Síntese acadêmica, metodologia diagnóstica e recomendações cirúrgicasAs lesões traumáticas da coluna vertebral na população pediátrica apresentam características anatômicas, biomecânicas e epidemiológicas distintas daquelas observadas em adultos. A maior elasticidade ligamentar, a orientação horizontal das facetas articulares, a presença de centros de ossificação em desenvolvimento e a desproporção da massa cefálica em relação ao tronco tornam a coluna infantil suscetível a padrões específicos de lesão, como o trauma raquimedular sem anormalidade radiográfica (SCIWORA).
Apresentar a avaliação sistemática, a propedêutica por imagem e as diretrizes de tratamento conservador e cirúrgico nas lesões traumáticas da coluna vertebral em crianças e adolescentes, com ênfase nas particularidades anatômicas do esqueleto em desenvolvimento.
O esqueleto infantil caracteriza-se por sincondroses e centros de ossificação secundários, platôs cartilaginosos espessos e hiperelasticidade dos tecidos capsuloligamentares. Na coluna cervical alta, a anatomia fulcral situa-se em C2-C3 nas crianças menores de 8 anos, migrando progressivamente para os níveis subaxiais com a maturidade esquelética.
O SCIWORA (Spinal Cord Injury Without Radiographic Abnormality) ocorre pela deformação elástica transitória da coluna osteoligamentar com estiramento ou contusão da medula espinhal subjacente. A ressonância magnética é mandatória para identificar edema medular, hemorragia e roturas ligamentares ocultas nas radiografias e tomografias.
A maioria das fraturas pediátricas sem déficit neurológico e sem instabilidade ligamentar grave responde favoravelmente à imobilização com órteses ou gesso. As indicações cirúrgicas reservam-se a deformidades progressivas, compressões neurais mecânicas e instabilidades articulares grosseiras, utilizando instrumentações adaptadas ao potencial de crescimento.
Na sala de emergência, a imobilização cervical pediátrica requer calço sob o tronco para compensar o occipício proeminente e evitar cifose forçada. A ressonância magnética precoce é o padrão-ouro em qualquer criança com déficit neurológico pós-trauma, mesmo com tomografia normal.
