Resumo Clínico do Capítulo
Síntese acadêmica, metodologia diagnóstica e recomendações cirúrgicasA abordagem endoscópica interlaminar resulta de uma longa evolução das técnicas percutâneas e microcirúrgicas da coluna. O desenvolvimento de sistemas de irrigação contínua, óticas com canais de trabalho progressivamente maiores e instrumentais específicos permitiu que uma técnica inicialmente voltada à discectomia fosse empregada também em descompressões do recesso lateral, canal central e, posteriormente, em descompressões bilaterais por acesso unilateral. Sua relevância decorre da possibilidade de reproduzir princípios conhecidos da descompressão posterior utilizando menor agressão tecidual e visualização endoscópica direta. A técnica apresenta especial utilidade em hérnias centrais e paracentrais, determinadas migrações, estenoses centrais e do recesso lateral e cistos facetários. Apesar da baixa morbidade potencial, exige seleção adequada, compreensão da janela interlaminar, domínio da ressecção óssea, proteção das estruturas neurais e controle rigoroso da irrigação e da hemostasia.
Ensinar os fundamentos históricos, diagnósticos e técnicos da endoscopia interlaminar lombossacra. O leitor deverá reconhecer suas indicações e contraindicações, integrar RM, TC e estudos dinâmicos ao planejamento, compreender a escolha do instrumental, identificar critérios de descompressão completa e reconhecer complicações como lesão dural, hematoma, descompressão insuficiente, recorrência e infecção.
O capítulo revisa a transição da mieloscopia e das primeiras técnicas percutâneas para a endoscopia moderna. O desenvolvimento de instrumentais específicos ampliou a técnica de discectomia para procedimentos de descompressão óssea e ligamentar mais extensos. A literatura apresentada sustenta um perfil perioperatório favorável em comparação com procedimentos abertos em diferentes contextos, enquanto as comparações com a via transforaminal não demonstram superioridade uniforme. A escolha é, portanto, anatômica e patologia-dependente.
A abordagem é particularmente adequada às hérnias centrais ou paracentrais, incluindo determinadas migrações, estenose do canal central, estenose do recesso lateral ou foraminal e cistos facetários. Instabilidade importante, deformidades que demandem estabilização e dor axial isolada constituem limitações relevantes. Calcificações e estenoses graves são tratadas como cenários mais exigentes e não necessariamente como contraindicações absolutas em equipes experientes.
A RM define o componente neural e de partes moles. A TC acrescenta informações sobre calcificações, osteófitos, hipertrofia facetária e dimensão da janela de trabalho; radiografias dinâmicas investigam instabilidade. As Figuras 63.1 a 63.8 apresentam diferentes endoscópios, cânulas, brocas, pinças, Kerrisons, dissectores, sistemas de irrigação e radiofrequência. A seleção do conjunto deve acompanhar a patologia e a extensão da descompressão necessária.
O paciente é posicionado de modo a otimizar a janela interlaminar. O acesso progride até o ligamento amarelo, que funciona inicialmente como elemento protetor. Após definição dos referenciais ósseos, a descompressão é realizada sob visão direta, seguida da identificação do saco dural e das raízes. Nas hérnias discais, a proteção da raiz precede a manipulação do fragmento. O inventário final do canal procura confirmar mobilidade neural, ausência de fragmentos residuais e hemostasia.
A lesão dural recebe atenção especial. A Tabela 63.1 organiza diferentes padrões de durotomia e relaciona-os às possibilidades de reparo endoscópico ou conversão. Hematoma epidural, descompressão incompleta, recorrência e infecção completam o grupo de complicações de maior relevância.
A decisão entre abordagem interlaminar e posterolateral deve ser feita antes da entrada no centro cirúrgico. Em doença predominantemente central ou do recesso lateral, especialmente quando é necessária descompressão mais ampla do canal, a via interlaminar pode oferecer um corredor mais direto. A morfologia da janela, o grau de calcificação e a necessidade de descompressão unilateral ou bilateral modificam o planejamento. Na curva de aprendizado, o capítulo recomenda começar por cenários tecnicamente mais previsíveis e evitar inicialmente estenoses muito graves ou aderências complexas. A ressecção óssea deve ser suficiente para permitir visualização e mobilização seguras, mas limitada para preservar estabilidade. Durante a cirurgia, irrigação, sangramento e proteção neural são interdependentes. Hemostasia inadequada pode ser mascarada temporariamente pelo fluxo do soro, enquanto pressão excessiva pode favorecer complicações. A inspeção sistemática antes do encerramento reduz o risco de fragmentos residuais e hematomas. Os casos apresentados nas Figuras 63.20 e 63.21 demonstram tanto uma discectomia focal quanto uma descompressão bilateral obtida por abordagem unilateral.
