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CIRURGIA ENDOSCÓPICA UNIPORTAL NO SEGMENTO TORÁCICO

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Capa 3D Tratado de Coluna

Resumo Clínico do Capítulo

Síntese acadêmica, metodologia diagnóstica e recomendações cirúrgicas
Contexto Clínico

A coluna torácica representa um dos territórios mais desafiadores para descompressão cirúrgica por reunir canal relativamente restrito, medula espinhal, particularidades do forame e relação íntima com costelas e estruturas vasculares. Historicamente, a evolução das técnicas para hérnia discal torácica buscou reduzir a manipulação medular associada às primeiras abordagens posteriores. Costotransversectomia, acesso transtorácico e toracoscopia ampliaram as possibilidades, mas introduziram diferentes formas de morbidade. A cirurgia endoscópica uniportal surge nessa trajetória como alternativa capaz de acessar lateralmente o canal e determinados fragmentos discais sem necessidade de grande dissecção ou abordagem torácica formal. A técnica é particularmente dependente de seleção cuidadosa, entendimento tridimensional do corredor entre cabeça da costela e pedículo e reconhecimento de estruturas vasculares críticas, especialmente em níveis nos quais a vascularização medular torna a estratégia potencialmente mais arriscada.

Objetivo do Capítulo

Apresentar a evolução das abordagens torácicas e os fundamentos da descompressão uniportal endoscópica. O capítulo permite reconhecer indicações e contraindicações, planejar o corredor transforaminal, compreender a importância da ressecção óssea controlada e da técnica egg-shell em lesões calcificadas, além de prevenir complicações durais, medulares, vasculares e relacionadas à irrigação.

Da cirurgia aberta à endoscopia

A Figura 64.1 sintetiza a evolução de laminectomia, costotransversectomia e abordagem transtorácica. A motivação histórica foi reduzir o risco decorrente da manipulação direta da medula sem transferir morbidade excessiva para estruturas torácicas. A endoscopia uniportal utiliza um corredor posterolateral/transforaminal, permitindo que a descompressão seja realizada sob visão endoscópica direta.

Indicações e limitações

O capítulo inclui como indicações hérnias discais torácicas laterais, paramedianas e determinadas hérnias centrais, calcificadas ou não, inclusive migrações; cistos sinoviais, estenose foraminal, determinados tumores extradurais benignos e discite com compressão neural. Instabilidade, deformidades torácicas importantes, ossificação extensa do ligamento longitudinal posterior e determinados fragmentos centrais calcificados ou firmemente aderidos à dura aumentam substancialmente a complexidade e podem contraindicar a técnica.

Anatomia e planejamento

As Figuras 64.2 e 64.3 demonstram a relação entre raiz, forame, cabeça da costela e pedículo e a orientação do instrumental sob fluoroscopia. Essa anatomia é central para criar um corredor que evite medialização prematura em direção à medula. A avaliação pré-operatória deve ainda reconhecer o possível trajeto da artéria de Adamkiewicz e confirmar rigorosamente o nível operado, já que erros de contagem torácica são especialmente relevantes.

Princípio da descompressão

A foraminoplastia e a criação de uma janela óssea ampliam o acesso lateral. Fragmentos moles podem ser removidos diretamente; nas calcificações, a estratégia enfatiza redução progressiva do componente ósseo e, quando indicado, utilização do conceito egg-shell, evitando mobilização forçada de um fragmento aderido à dura.

Resultados e riscos

O capítulo relata resultados favoráveis em séries selecionadas, com menor sangramento, tempo cirúrgico e permanência hospitalar em comparação a algumas abordagens tradicionais. Essas vantagens devem ser interpretadas dentro de uma literatura ainda mais restrita que a disponível para endoscopia lombar. Lesão dural, sangramento epidural, disestesia intercostal, hematoma e recorrência são descritos. A lesão vascular responsável pelo suprimento medular merece destaque pelo potencial de produzir consequências neurológicas catastróficas.

Aplicação Clínica & Diretrizes

O primeiro passo é estabelecer se a compressão possui morfologia adequada à via lateral endoscópica. A simples presença de hérnia torácica não constitui indicação. Localização, calcificação, aderência à dura, estabilidade e relação com a medula definem a viabilidade. TC e RM devem ser estudadas conjuntamente. A TC demonstra calcificação e anatomia óssea; a RM caracteriza compressão medular e relação com tecidos neurais. A decisão deve incorporar ainda a anatomia vascular do nível planejado. Durante a cirurgia, a segurança depende de manter o trabalho lateral à medula até que a descompressão seja visualmente controlada. A progressão medial inadequada de brocas ou instrumentos é um risco específico. Da mesma forma, irrigação excessiva em um compartimento restrito não deve ser usada para compensar hemostasia inadequada. O caso apresentado no capítulo, documentado nas Figuras 64.5 a 64.8, ilustra uma hérnia calcificada associada à paraparesia, tratada por acesso endoscópico com redução progressiva do componente aderido e controle radiológico posterior.

Descritores Científicos DeCS / MeSH

EndoscopiaEndoscopyProcedimentos Cirúrgicos Minimamente InvasivosMinimally Invasive Surgical ProceduresVértebras TorácicasThoracic VertebraeDeslocamento do Disco IntervertebralIntervertebral Disc DisplacementEstenose EspinalSpinal StenosisCompressão da Medula EspinalSpinal Cord CompressionComplicações Pós-OperatóriasPostoperative Complications

Por que este capítulo importa

Na coluna torácica, as consequências de um erro técnico podem ser desproporcionalmente graves. O capítulo mostra como a estratégia cirúrgica evoluiu justamente para reduzir a necessidade de mobilizar a medula durante a retirada de uma lesão anterior. A endoscopia oferece uma nova solução para esse problema, mas somente quando o cirurgião reconhece seus limites. A atenção ao nível correto, à anatomia costovertebral, à dura e à vascularização medular transforma planejamento em elemento de segurança neurológica.

A endoscopia torácica uniportal pode oferecer um corredor direto e pouco invasivo para patologias selecionadas, mas sua segurança depende de evitar manipulação da medula. Anatomia foraminal, localização do fragmento, calcificação, aderência dural e vascularização regional precisam ser compreendidas antes da cirurgia. A técnica deve ser reservada a indicações compatíveis com o corredor endoscópico e a equipes com treinamento específico.
Card 1 — A medula não se retrai

O acesso endoscópico torácico busca alcançar a lesão por um corredor lateral, criando espaço ósseo antes de aproximar o instrumental da medula. A descompressão deve ocorrer sob visão direta e sem retração medular forçada.

Card 2 — Calcificação muda a estratégia

Uma hérnia torácica calcificada não deve ser tratada como um fragmento discal mole. A relação com a dura e a possibilidade de aderência determinam a necessidade de redução progressiva e técnicas específicas.

Card 3 — Pense na vascularização

O planejamento torácico não termina na relação disco-medula. A vascularização da medula pode modificar o risco da abordagem, especialmente em níveis relacionados à artéria de Adamkiewicz.

Referências Bibliográficas Selecionadas

Literatura de alto impacto indexada no PubMed / DOI
15 Referências
1.Arce CA, et al. Thoracic disc herniations: incidence and significance. Spine (Phila Pa 1976). 1985.
2.Wood KB, et al. Magnetic resonance imaging of the thoracic spine. Spine (Phila Pa 1976). 1995.
3.Uribe JS, et al. The current management of thoracic disc herniations. J Neurosurg Spine. 2010.
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Episódio 1 – Capítulo 8: Coluna Vertebral no Plano Sagital

Aprofunde-se no debate científico com os autores do capítulo discutindo casos práticos e condutas cirúrgicas.