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Seção 8Técnicas CirúrgicasCapítulo 68 de 109

ARTRODESE INTERSOMÁTICA LOMBAR POSTERIOR

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Resumo Clínico do Capítulo

Síntese acadêmica, metodologia diagnóstica e recomendações cirúrgicas
Contexto Clínico

A artrodese intersomática lombar posterior permanece uma das estratégias fundamentais para estabilização e fusão da coluna lombar. Sua evolução incorporou instrumentação pedicular, espaçadores intersomáticos e técnicas menos invasivas, mas preservou o princípio de utilizar um acesso posterior para descompressão neural, preparação do espaço discal e reconstrução da coluna anterior. A abordagem pode restaurar altura discal, proporcionar suporte à coluna anterior e criar ambiente para fusão intersomática, sendo aplicada em instabilidade, espondilolistese, doença degenerativa, determinadas deformidades e situações de pseudoartrose. O capítulo discute particularmente posterior lumbar interbody fusion (PLIF) e transforaminal lumbar interbody fusion (TLIF), mostrando que técnicas com objetivos biomecânicos semelhantes podem apresentar diferenças na manipulação neural e no perfil de complicações. A seleção do paciente, a avaliação do alinhamento e da estabilidade e o preparo adequado das superfícies de fusão são tão importantes quanto a escolha do implante.

Objetivo do Capítulo

Consolidar os princípios históricos, biomecânicos e clínicos da artrodese intersomática lombar posterior, revisar suas indicações e comparar PLIF e TLIF. O leitor deverá compreender planejamento, descompressão, suporte da coluna anterior, papel da instrumentação, evidências de fusão e desfechos clínicos, além de reconhecer pseudoartrose, infecção, lesão neural, falhas de implantes e outras complicações.

Fundamento biomecânico

A reconstrução intersomática transfere parte da carga para a coluna anterior e pode reduzir as solicitações sobre a instrumentação posterior. A restauração da altura do espaço discal também pode aumentar dimensões foraminais e contribuir para descompressão indireta. O objetivo, entretanto, não deve ser apenas obter uma imagem radiográfica favorável. O capítulo ressalta que uma taxa mais elevada de fusão não se traduz automaticamente em melhor resultado clínico.

Indicações

A artrodese intersomática posterior pode ser considerada quando descompressão e estabilização precisam ser associadas, especialmente em instabilidade, espondilolistese, doença degenerativa selecionada, deformidade, pseudoartrose e outras condições que comprometam a unidade funcional vertebral. O planejamento deve considerar comorbidades, qualidade óssea, tabagismo, fatores psicológicos, uso prévio de opioides, estado nutricional e risco perioperatório.

PLIF e TLIF

A PLIF utiliza acesso posterior bilateral ao espaço discal, enquanto a TLIF reduz a necessidade de manipulação neural bilateral ao utilizar corredor transforaminal. Revisões discutidas no capítulo mostram resultados clínicos e de fusão geralmente equivalentes, com tendência a maior incidência de complicações durais ou radiculares na PLIF em razão da maior manipulação neural.

Resultados

A literatura apresentada documenta melhora de dor e função e altas taxas de consolidação para técnicas posteriores instrumentadas. Comparações com fusão posterolateral mostram vantagem radiográfica da fusão intersomática em diversas séries; porém, a magnitude da superioridade clínica é menos uniforme. Comparações entre abordagens anterior, posterior, transforaminal e lateral mostram que nenhuma via é universalmente superior. O ganho radiográfico deve ser interpretado junto aos resultados funcionais e ao perfil de complicações.

Complicações e inovação

Infecção, lesão dural ou radicular, sangramento, pseudoartrose, falha da instrumentação, migração ou subsidência do espaçador e complicações médicas são abordadas. Preservar os platôs e posicionar adequadamente o implante são princípios fundamentais. Navegação, robótica e impressão tridimensional são discutidas como ferramentas de precisão e personalização; a Figura 68.4 exemplifica planejamento assistido por robótica.

Aplicação Clínica & Diretrizes

Quando uma estenose lombar está associada à instabilidade ou a uma deformidade que exige reconstrução, a descompressão isolada pode não atender ao problema biomecânico. A artrodese intersomática posterior permite tratar compressão neural e reconstruir o segmento no mesmo acesso. A escolha entre PLIF e TLIF deve considerar a necessidade de descompressão, anatomia, número de níveis e quantidade aceitável de manipulação neural. O capítulo não sustenta uma superioridade universal; o perfil de risco é diferente. O preparo do espaço intersomático exige equilíbrio. Remover cartilagem insuficientemente prejudica o contato ósseo; agredir a placa terminal em excesso facilita subsidência. De forma semelhante, o tamanho do espaçador deve proporcionar suporte sem produzir dano estrutural. Fatores do paciente — qualidade óssea, tabagismo, comorbidades e adesão — precisam integrar a estratégia para reduzir pseudoartrose. A avaliação pós-operatória não deve se limitar à presença de fusão: alívio sintomático, recuperação funcional e ausência de complicações mecânicas são desfechos igualmente relevantes.

Descritores Científicos DeCS / MeSH

Fusão VertebralSpinal FusionVértebras LombaresLumbar VertebraeEspondilolisteseSpondylolisthesisEstenose EspinalSpinal StenosisDor LombarLow Back PainTransplante ÓsseoBone TransplantationComplicações Pós-OperatóriasPostoperative Complications

Por que este capítulo importa

A fusão intersomática é uma operação frequente, mas detalhes aparentemente simples — indicação inadequada, escolha imprópria do acesso, agressão à placa terminal ou excesso de manipulação neural — podem transformar um procedimento rotineiro em pseudoartrose, déficit neurológico ou falha mecânica. O capítulo ajuda a separar os objetivos reais da artrodese de uma visão centrada apenas no implante. Entender por que e onde reconstruir o segmento é mais importante do que dominar uma única técnica de inserção do cage.

A artrodese intersomática lombar posterior continua relevante porque permite combinar descompressão, estabilização e suporte da coluna anterior por um acesso familiar. PLIF e TLIF compartilham objetivos, mas diferem na exposição e manipulação neural. Bons resultados dependem de indicação adequada, planejamento global, preservação dos platôs, posicionamento correto dos implantes e compreensão de que consolidação radiográfica é apenas um dos componentes do sucesso clínico.
Card 1 — Fusão não é único desfecho

Uma taxa elevada de consolidação é desejável, mas não garante, isoladamente, melhor função ou menor dor. O resultado deve integrar fusão, alinhamento, estabilidade, sintomas e complicações.

Card 2 — PLIF ou TLIF

As duas técnicas podem atingir objetivos semelhantes. A escolha deve considerar a exposição necessária e o risco de manipulação das estruturas neurais, e não apenas preferência habitual do cirurgião.

Card 3 — Preserve a placa terminal

Preparo insuficiente prejudica a biologia da fusão; preparo agressivo compromete a resistência do platô e favorece subsidência. A qualidade dessa etapa influencia diretamente a estabilidade da reconstrução.

Referências Bibliográficas Selecionadas

Literatura de alto impacto indexada no PubMed / DOI
78 Referências
1.Cloward RB. The treatment of ruptured lumbar intervertebral discs by vertebral body fusion. I. Indications, operative technique, after care. J Neurosurg. 1953;10(2):154-68.
2.Fenton-White HA. Trailblazing: the historical development of the posterior lumbar interbody fusion (PLIF). Spine J. 2021;21(9):1528-41.
3.Collis JS. Total disc replacement: a modified posterior lumbar interbody fusion: report of 750 cases. Clin Orthop Relat Res. 1985;193:64-67.
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Episódio 1 – Capítulo 8: Coluna Vertebral no Plano Sagital

Aprofunde-se no debate científico com os autores do capítulo discutindo casos práticos e condutas cirúrgicas.