Resumo Clínico do Capítulo
Síntese acadêmica, metodologia diagnóstica e recomendações cirúrgicasA artrodese intersomática lombar posterior permanece uma das estratégias fundamentais para estabilização e fusão da coluna lombar. Sua evolução incorporou instrumentação pedicular, espaçadores intersomáticos e técnicas menos invasivas, mas preservou o princípio de utilizar um acesso posterior para descompressão neural, preparação do espaço discal e reconstrução da coluna anterior. A abordagem pode restaurar altura discal, proporcionar suporte à coluna anterior e criar ambiente para fusão intersomática, sendo aplicada em instabilidade, espondilolistese, doença degenerativa, determinadas deformidades e situações de pseudoartrose. O capítulo discute particularmente posterior lumbar interbody fusion (PLIF) e transforaminal lumbar interbody fusion (TLIF), mostrando que técnicas com objetivos biomecânicos semelhantes podem apresentar diferenças na manipulação neural e no perfil de complicações. A seleção do paciente, a avaliação do alinhamento e da estabilidade e o preparo adequado das superfícies de fusão são tão importantes quanto a escolha do implante.
Consolidar os princípios históricos, biomecânicos e clínicos da artrodese intersomática lombar posterior, revisar suas indicações e comparar PLIF e TLIF. O leitor deverá compreender planejamento, descompressão, suporte da coluna anterior, papel da instrumentação, evidências de fusão e desfechos clínicos, além de reconhecer pseudoartrose, infecção, lesão neural, falhas de implantes e outras complicações.
A reconstrução intersomática transfere parte da carga para a coluna anterior e pode reduzir as solicitações sobre a instrumentação posterior. A restauração da altura do espaço discal também pode aumentar dimensões foraminais e contribuir para descompressão indireta. O objetivo, entretanto, não deve ser apenas obter uma imagem radiográfica favorável. O capítulo ressalta que uma taxa mais elevada de fusão não se traduz automaticamente em melhor resultado clínico.
A artrodese intersomática posterior pode ser considerada quando descompressão e estabilização precisam ser associadas, especialmente em instabilidade, espondilolistese, doença degenerativa selecionada, deformidade, pseudoartrose e outras condições que comprometam a unidade funcional vertebral. O planejamento deve considerar comorbidades, qualidade óssea, tabagismo, fatores psicológicos, uso prévio de opioides, estado nutricional e risco perioperatório.
A PLIF utiliza acesso posterior bilateral ao espaço discal, enquanto a TLIF reduz a necessidade de manipulação neural bilateral ao utilizar corredor transforaminal. Revisões discutidas no capítulo mostram resultados clínicos e de fusão geralmente equivalentes, com tendência a maior incidência de complicações durais ou radiculares na PLIF em razão da maior manipulação neural.
A literatura apresentada documenta melhora de dor e função e altas taxas de consolidação para técnicas posteriores instrumentadas. Comparações com fusão posterolateral mostram vantagem radiográfica da fusão intersomática em diversas séries; porém, a magnitude da superioridade clínica é menos uniforme. Comparações entre abordagens anterior, posterior, transforaminal e lateral mostram que nenhuma via é universalmente superior. O ganho radiográfico deve ser interpretado junto aos resultados funcionais e ao perfil de complicações.
Infecção, lesão dural ou radicular, sangramento, pseudoartrose, falha da instrumentação, migração ou subsidência do espaçador e complicações médicas são abordadas. Preservar os platôs e posicionar adequadamente o implante são princípios fundamentais. Navegação, robótica e impressão tridimensional são discutidas como ferramentas de precisão e personalização; a Figura 68.4 exemplifica planejamento assistido por robótica.
Quando uma estenose lombar está associada à instabilidade ou a uma deformidade que exige reconstrução, a descompressão isolada pode não atender ao problema biomecânico. A artrodese intersomática posterior permite tratar compressão neural e reconstruir o segmento no mesmo acesso. A escolha entre PLIF e TLIF deve considerar a necessidade de descompressão, anatomia, número de níveis e quantidade aceitável de manipulação neural. O capítulo não sustenta uma superioridade universal; o perfil de risco é diferente. O preparo do espaço intersomático exige equilíbrio. Remover cartilagem insuficientemente prejudica o contato ósseo; agredir a placa terminal em excesso facilita subsidência. De forma semelhante, o tamanho do espaçador deve proporcionar suporte sem produzir dano estrutural. Fatores do paciente — qualidade óssea, tabagismo, comorbidades e adesão — precisam integrar a estratégia para reduzir pseudoartrose. A avaliação pós-operatória não deve se limitar à presença de fusão: alívio sintomático, recuperação funcional e ausência de complicações mecânicas são desfechos igualmente relevantes.
