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Seção 88Capítulo 89 de 109

Sacrectomia

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Capa 3D Tratado de Coluna

Resumo Clínico do Capítulo

Síntese acadêmica, metodologia diagnóstica e recomendações cirúrgicas
Contexto Clínico

Diretrizes anátomo-cirúrgicas essenciais, critérios diagnósticos de precisão e avanços contemporâneos da Sociedade Brasileira de Coluna.

Objetivo do Capítulo

Descrever detalhadamente o passo a passo técnico de cirurgias minimamente invasivas, endoscopia uni e biportal, fusões intersomáticas (ALIF, OLIF, LLIF), fixações e robótica.

Visão Geral e Fundamentos

Conceitos e Indicações A sacrectomia destina-se primariamente ao tratamento de neoplasias primárias sacrais (como cordoma e sarcoma) e carcinomas pélvicos localmente avançados ou recorrentes (ex.: câncer colorretal). O objetivo terapêutico central é a obtenção de margens livres (ressecção R0). A invasão da cortical óssea e o envolvimento sacral alto (S1/S2) deixaram de ser contraindicações absolutas no cenário contemporâneo caso a margem R0 seja exequível e o paciente apresente condições clínicas adequadas. As contraindicações absolutas englobam doença irressecável por acometimento neurovascular extenso incontornável, comorbidades clínicas proibidora de cirurgia de grande porte, metástase à distância sem impacto na sobrevida ou qualidade de vida e recusa informada do paciente. Planejamento e Vias de Acesso A escolha da abordagem depende da altura do tumor e da necessidade de ressecção visceral: Ressecção baixa (abaixo dos forames neurais de S2): Pode ser realizada por via posterior isolada, fornecendo margem adequada para lesões até o disco vestigial S2-S3. Ressecção alta ou total (acima de S1-S2): Indica-se o acesso combinado anteroposterior em dois tempos. O tempo anterior (laparotomia mediana) permite mobilização visceral, ligadura dos vasos ilíacos internos e osteotomias unicorticais para proteção do saco dural. O tempo posterior é frequentemente realizado após 48 horas. Técnica Cirúrgica e Reconstrução Espinopélvica A via anterior envolve o isolamento do nervo femoral e a confecção prévia de retalho miocutâneo (ex.: retalho de reto abdominal vertical - VRAM). A via posterior (incisão mediana ou em "Mercedes") exige a secção dos músculos piriforme e coccígeo, ligamentos sacrotuberoso e sacroespinhoso, laminectomia e eventual ligadura dupla do saco dural com fio de seda em caso de transecção. Quando ocorre perda da continuidade espinopélvica (ressecções em S1-S2 ou superiores), a reconstrução instrumentada é mandatória. Utiliza-se fixação com parafusos pediculares nos três ou quatro níveis lombares mais caudais associada a parafusos ilíacos longos ou S2-alar-ilíacos (S2AI) bilaterais, combinados a aloenxertos ou enxertos vascularizados. É fundamental corrigir a posição de flexão lombossacra induzida pela mesa cirúrgica antes do travamento final para evitar cifose iatrogênica. Resultados e Complicações A ressecção R0 é o preditor mais forte de sobrevida. No câncer colorretal, a sobrevida global em 5 anos pós-R0 é de ~42%. Em tumores ósseos primários, a sobrevida mediana atinge 70 meses. Do ponto de vista funcional, a maioria dos pacientes (>80%) preserva a deambulação independente, embora a dependência de auxílios aumente nas ressecções altas. Registram-se disfunção vesical em 8-23%, disfunção intestinal em 4-22% e disfunção sexual em até 67%. Complicações de ferida operatória (deiscência e infecção) ocorrem em até 29% dos casos. A mortalidade perioperatória média é de 1,1%. Inovações Tecnológicas Avanços recentes incluem impressão 3D para implantes sacrais customizados baseados em análise de elementos finitos, cirurgia robótica, navegação intraoperatória, guias de corte paciente-específicos e realidade aumentada, otimizando a precisão das margens e a estabilidade estrutural.

Aplicação Clínica & Diretrizes

A tomada de decisão exige contrapor a busca pela margem R0 às sequelas funcionais resultantes do sacrifício radicular. O cirurgião deve alinhar previamente com o paciente os riscos inevitáveis de disfunções vesicais, intestinais, sexuais e alterações da marcha. Durante o procedimento, o rigor hemostático, o alinhamento lombopélvico correto na mesa cirúrgica para evitar cifose iatrogênica e a reconstrução do espaço morto com retalhos musculares bem vascularizados (VRAM ou glúteo máximo) constituem etapas críticas para prevenir falhas mecânicas, fístulas liquóricas, deiscências e infecções profundas de sítio cirúrgico.

Descritores Científicos DeCS / MeSH

Coluna VertebralTécnicas CirúrgicasDiagnóstico por ImagemBiomecânica EspinhalSegurança PerioperatóriaQualidade de Vida
Card 1 — Conceito essencial

Nível da ressecção e acessos

Ressecções sacrais situadas abaixo do nível dos forames neurais de S2 podem ser realizadas exclusivamente por via posterior. Em contrapartida, sacrectomias totais ou subtotais altas que envolvem S1-S2 exigem uma abordagem combinada anteroposterior em dois tempos para garantir controle vascular, mobilização visceral e margens oncológicas R0 adequadas.

Card 2 — Decisão clínica

Indicações e limites da cirurgia

A sacrectomia visa à ressecção completa R0 em tumores primários ou invasões pélvicas. Invasão do osso cortical e sacrectomia alta não são contraindicações absolutas. Contudo, doença irressecável por invasão vascular incontornável, comorbidades proibitivas ou metástases à distância sem ganho de qualidade de vida contraindicam o procedimento.

Card 3 — Pérola ou alerta

Alinhamento e reconstrução espinopélvica

Na reconstrução lombopélvica após sacrectomia alta, é indispensável utilizar fixação firme com parafusos pediculares lombares e ilíacos ou S2AI. Antes do travamento final do sistema, deve-se corrigir rigorosamente a flexão lombossacra induzida pelo posicionamento na mesa cirúrgica, prevenindo o surgimento de deformidade cifótica iatrogênica.

Referências Bibliográficas Selecionadas

Literatura de alto impacto indexada no PubMed / DOI
28 Referências
1.Stener B, Gunterberg B. High Amputation of the Sacrum For Extirpation of Tumors. Spine (Phila Pa 1976). 1978; 3(4):351-66.
2.Gokaslan ZL, Romsdahl MM, Kroll SS, Walsh GL, Gillis TA, Wildrick DM, et al. Total sacrectomy and Galveston L-rod reconstruction for malignant neoplasms. J Neurosurg. 1997; 87(5):781-7.
3.Fourney DR, Rhines LD, Hentschel SJ, Skibber JM, Wolinsky JP, Weber KL, et al. En bloc resection of primary sacral tumors: classification of surgical approaches and outcome. J Neurosurg Spine. 2005; 3(2):111-22.
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Episódio 1 – Capítulo 8: Coluna Vertebral no Plano Sagital

Aprofunde-se no debate científico com os autores do capítulo discutindo casos práticos e condutas cirúrgicas.