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QUEDA DAS RESPOSTAS NA MONITORAÇÃO NEUROFISIOLÓGICA INTRAOPERATÓRIA

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Resumo Clínico do Capítulo

Síntese acadêmica, metodologia diagnóstica e recomendações cirúrgicas
Contexto Clínico

A monitorização neurofisiológica intraoperatória funciona como sistema de alerta para alterações funcionais das vias neurais durante procedimentos da coluna. Sua maior utilidade ocorre quando uma alteração é reconhecida enquanto o insulto ainda é potencialmente reversível. O capítulo enfatiza a monitorização multimodal, combinando potenciais motores, potenciais somatossensitivos e eletromiografia, porque cada modalidade avalia componentes distintos do sistema neural. A ocorrência de uma queda de sinal desencadeia um problema diagnóstico imediato: diferenciar falha técnica, interferência anestésica ou alteração sistêmica de uma agressão mecânica ou isquêmica real. A interpretação depende do padrão do alerta, da modalidade afetada e, principalmente, da relação temporal com o passo cirúrgico. O uso da onda D em situações selecionadas acrescenta informação prognóstica sobre a integridade das vias motoras centrais.

Objetivo do Capítulo

Apresentar os fundamentos das principais modalidades de monitorização, orientar a interpretação de alterações intraoperatórias e oferecer uma estrutura de resposta rápida aos alertas. O capítulo também aborda fatores anestésicos, perfusão medular, reversão de manobras cirúrgicas, valor prognóstico da onda D e novas tecnologias destinadas a melhorar a interpretação dos sinais.

O significado das diferentes modalidades

Os potenciais somatossensitivos acompanham predominantemente vias sensitivas posteriores; os potenciais motores avaliam a condução motora; e a eletromiografia acrescenta informação sobre irritação ou função radicular. Essa complementaridade explica por que a avaliação multimodal é preferível nos procedimentos de maior risco. A onda D, utilizada em contextos específicos, avalia diretamente a condução corticospinal e pode auxiliar na distinção entre perda transitória da resposta muscular e comprometimento estrutural mais importante.

Global ou focal?

O padrão da queda é elemento essencial. Alterações bilaterais e simultâneas em diversos canais sugerem inicialmente fatores sistêmicos, anestésicos, hemodinâmicos ou técnicos. Alterações focais, assimétricas ou restritas a determinado território aumentam a suspeita de causa mecânica localizada. O momento do alerta oferece outra pista importante. Em cirurgia de deformidade, muitas alterações ocorrem durante etapas previsíveis, como correção, osteotomias ou instrumentação.

Resposta escalonada ao alerta

O capítulo propõe raciocínio organizado: interromper temporariamente a manobra, verificar o sistema de monitorização, revisar anestesia e condições fisiológicas, identificar o padrão do alerta e correlacioná-lo com a última etapa cirúrgica realizada. Persistindo a alteração, manobras potencialmente agressoras devem ser revertidas ou revistas. Implantes suspeitos podem necessitar de avaliação, e uma descompressão adicional pode ser considerada quando houver hipótese de conflito mecânico. O objetivo não é preservar a correção radiográfica a qualquer custo, mas preservar a função neurológica.

Limitações e futuro

Falsos positivos e falsos negativos podem ocorrer. A monitorização não substitui técnica adequada nem avaliação pós-operatória. O capítulo também destaca anestesia compatível com MEP/SSEP, novas formas de monitorização e perspectivas de aplicação de inteligência artificial na identificação de tendências e artefatos.

Aplicação Clínica & Diretrizes

Quando um alerta ocorre, a equipe deve transformar rapidamente um dado eletrofisiológico em uma hipótese causal. A comunicação entre cirurgião, anestesiologista e neurofisiologista é central. Uma perda global após alteração anestésica ou hipotensão conduz inicialmente à correção sistêmica. Uma perda focal imediatamente após colocação de um implante ou manobra de correção exige atenção prioritária ao campo cirúrgico. O comportamento dos sinais após a intervenção também fornece informação sobre reversibilidade. O capítulo reforça ainda a necessidade de antecipar os momentos de maior risco. Informar a equipe antes de uma osteotomia, derrotação ou distração permite estabelecer referências claras e reconhecer rapidamente uma mudança relevante. Nos tumores intramedulares ou em outras situações em que a onda D esteja disponível, a combinação de diferentes modalidades pode influenciar decisões sobre prosseguir, interromper ou limitar uma etapa cirúrgica.

Descritores Científicos DeCS / MeSH

Coluna VertebralTécnicas CirúrgicasDiagnóstico por ImagemBiomecânica EspinhalSegurança PerioperatóriaQualidade de Vida

Por que este capítulo importa

Alguns dos momentos mais decisivos de uma cirurgia complexa da coluna acontecem em poucos minutos. Saber responder a um alerta neurofisiológico com método, e não por tentativa e erro, pode definir o desfecho neurológico. O capítulo organiza essa resposta e reforça uma ideia fundamental: diante de sinais persistentes de risco, uma correção menos ambiciosa é preferível a uma sequela neurológica irreversível.

A queda de respostas na monitorização não é um diagnóstico, mas um alerta que precisa ser interpretado rapidamente. Padrão do sinal, contexto fisiológico e relação temporal com a manobra cirúrgica orientam a resposta. A prioridade deve ser sempre identificar e reverter causas potencialmente corrigíveis antes que a alteração funcional se transforme em déficit neurológico permanente.
Conceito essencial — Multimodalidade reduz pontos cegosVias sensitivas, motoras e raízes não são avaliadas da mesma maneira por uma única modalidade. Combinar métodos fornece informação mais ampla e reduz o risco de interpretar equivocadamente a preservação de um sinal como ausência de sofrimento neural.

Decisão clínica — Pergunte o que mudouAo surgir um alerta, a relação temporal é decisiva. Rever imediatamente anestesia, perfusão e a última manobra cirúrgica ajuda a diferenciar alterações sistêmicas de insultos mecânicos e direciona uma intervenção de resgate.

Pérola ou alerta — Função antes da correçãoUma alteração persistente não deve ser ignorada em busca da correção radiográfica planejada. Interromper, reverter ou estadiar o procedimento pode representar a decisão mais segura quando a recuperação dos sinais não ocorre.

Referências Bibliográficas Selecionadas

Literatura de alto impacto indexada no PubMed / DOI
10 Referências
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Episódio 1 – Capítulo 8: Coluna Vertebral no Plano Sagital

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